A morte de Bush pai ocorre meses após o falecimento, em
abril, de sua esposa Barbara Bush, uma primeira-dama muito querida nos Estados
Unidos – e sua “mulher mais amada do mundo” – com quem esteve casado
por 73 anos. 
O 41º presidente dos Estados Unidos foi um herói de guerra condecorado e
diretor da CIA, mas sofreu a ignomínia de ser presidente por um único mandato
porque perdeu a reeleição em 1992 para Bill Clinton. Embora oito anos depois
sua dinastia política tenha voltado à Casa Branca.



Ele será
lembrado como um pragmático da política externa que navegou nas águas
turbulentas da queda da União Soviética em 1989 e que formou uma coalizão sem
precedentes para derrotar o falecido ditador iraquiano Saddam Hussein dois anos
depois. 
Defendia
a estabilidade e o consenso internacional, em claro contraste com seu colega
republicano que hoje ocupa a Casa Branca, Donald Trump. Após ser informado
sobre a morte, Trump destacou a “liderança inabalável” de Bush, de
quem ele disse que deu sua vida a serviço da nação.
 
O ex-presidente Barack Obama também prestou condolências.
“A América perdeu um servo patriota e humilde em George Herbert Walker
Bush. Enquanto nossos corações estão pesados hoje, também estão cheios de
gratidão. Nossos pensamentos estão com toda a família Bush esta noite – e todos
os que foram inspirados pelo exemplo de George e Barbara”. 
Bush pai
presidiu os Estados Unidos durante um período de agitação econômica e enfureceu
seus colegas republicanos durante uma batalha pelo orçamento com os rivais
democratas ao romper com uma promessa famosa: “Leiam meus lábios: sem mais
impostos”.
Guerra, petróleo, política
George
Herbert Walker Bush nasceu em 12 de junho de 1924 em Milton, Massachusetts
(nordeste), em uma rica dinastia política da Nova Inglaterra, como filho de
Prescott Bush, um banqueiro e senador por Connecticut. Bush frequentou a
prestigiada Academia Phillips em Andover, mas adiou seu ingresso em Yale quando
decidiu se alistar na Marinha ao completar 18 anos, e partir para a Segunda
Guerra Mundial.


Realizou
58 missões de combate aéreo durante a guerra. Seu avião foi abatido sobre o
Pacífico pelo fogo antiaéreo japonês e resgatado por um submarino quatro horas
depois, enquanto aviões inimigos voavam em círculos. Bush casou-se com Barbara
Pierce imediatamente após a guerra, em 1945, e o casal teve seis filhos, um dos
quais, Robin, morreu quando criança. Em vez de se juntar a seu pai no banco
depois de se formar em Yale, Bush foi para o extremo oeste do Texas para
apostar no então difícil e arriscado negócio de petróleo.

Surpreendeu
a muitos com seu sucesso e, em 1958, posicionou-se em Houston como presidente
de uma empresa de pesquisa marítima. Na década de 1960, Bush, agora
enriquecido, retornou à política. Foi presidente local do Partido Republicano e
em 1966 conquistou uma cadeira na Câmara dos Representantes em Washington. Ele
serviu até 1970, quando não conseguiu chegar ao Senado.

Ao longo da década seguinte, ocupou vários cargos como chefe do Comitê Nacional
Republicano, embaixador na ONU, enviado para a China e diretor da Agência
Central de Inteligência (CIA), onde foi elogiado por restaurar o moral após
revelações de atividades ilegais generalizadas. Foi vice-presidente de Ronald
Reagan durante oito anos e eleito presidente por ampla margem em 1988, quando a
Guerra Fria chegava ao fim.



“Não vai durar”
No maior
desafio à ordem posterior à Guerra Fria, o exército de um milhão de homens de
Saddam Hussein invadiu o Kuwait em 1990 e parecia pronto para avançar para a
Arábia Saudita, o que o faria deter mais de 40% das reservas mundiais de
petróleo. Então Bush brandiu a famosa frase: “Isso não vai durar, essa
agressão contra o Kuwait”.

Formou uma coalizão de 32 nações para expulsar as forças iraquianas em questão
de semanas com um rápido ataque aéreo e terrestre. Um total de 425.000 soldados
americanos apoiados por 118.000 tropas aliadas participaram na Operação
“Tempestade no Deserto”, dizimando a máquina militar de Saddam, sem
derrubá-lo, uma tarefa que levaria 12 anos, com seu filho George W. Bush.




Encorajado
por sua vitória no Golfo, George H.W. Bush e seu respeitado secretário de
Estado, James Baker, promoveram a Conferência de Madri de 1991 para lançar o
processo de paz israelo-palestino. A conferência foi simbólica, mas lançou as
bases para os acordos de Oslo dois anos depois. 
Além
disso, Bush enviou tropas americanas para derrubar e prender o homem forte
panamenho Manuel Noriega em 1989, acusando-o de tráfico de drogas. Também
lançou as bases para o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Internamente, no entanto, a economia estagnou e Bush quebrou sua promessa de
não aumentar os impostos para chegar a um acordo sobre o orçamento com os
democratas – pecado capital aos olhos republicanos. Bush fracassou em sua
tentativa de reeleição em 1992 contra Clinton – cujo assistente cunhou o agora
famoso slogan “É a economia, idiota”.



Depois de se aposentar da vida pública, Bush cumpriu uma promessa de guerra de
saltar um dia de avião por diversão. Praticou o salto de paraquedas em seus 75,
80, 85 e 90 anos. Juntou-se a Clinton para arrecadar fundos para as vítimas do
tsunami asiático de 2004 e do terremoto de 2010 no Haiti. Em 2011, o presidente
Barack Obama concedeu-lhe a maior honra civil nos Estados Unidos, a Medalha da
Liberdade.

Em 2001,
Bush se tornou o segundo presidente americano depois de John Adams a ver seu
filho presidente, quando George W. tomou posse. Outro filho, John Ellis
“Jeb” Bush, foi governador da Flórida (1999-2007) e perdeu para Trump
nas primárias de 2016.
Fonte: Estado de Minas