Mercado de trabalho do Pará muda em 13 anos, com mais escolaridade e crescimento da ocupação

Estado tem trabalhadores mais escolarizados, aumento da ocupação e avanço da formalização, aponta IBGE

O mercado de trabalho do Pará passou por mudanças estruturais entre 2012 e 2025, com aumento da escolaridade dos trabalhadores, crescimento da população ocupada e redução da participação da agropecuária. Os dados fazem parte do Suplemento de Características Adicionais do Mercado de Trabalho da PNAD Contínua, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23).

Segundo o levantamento, a população ocupada no estado voltou a crescer a partir de 2018 e atingiu, em 2024, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. Em 2025, o número permaneceu estável. No período, a população ocupada passou de 3,241 milhões para 3,761 milhões de pessoas, alta de 16%. Já a taxa de desocupação chegou, em 2025, ao menor nível da série histórica, de acordo com o IBGE.

O avanço também ocorreu entre as mulheres. O contingente feminino ocupado cresceu em ritmo superior ao masculino entre 2012 e 2025, reduzindo em um ponto percentual a diferença entre homens e mulheres na distribuição da população ocupada.

Dados do IBGE mostram que serviços ganharam espaço, desocupação atingiu menor nível da série e formalização de empreendedores avançouDados do IBGE mostram que serviços ganharam espaço, desocupação atingiu menor nível da série e formalização de empreendedores avançou (Foto: Divulgação IBGE)

Serviços ganham espaço

A composição do mercado de trabalho paraense também mudou. Serviços e administração pública ampliaram conjuntamente a absorção de mão de obra em aproximadamente 125 mil postos de trabalho no período. O comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas continuou como o principal grupamento de atividade, reunindo 20,5% dos ocupados em 2025.

A agropecuária, por outro lado, perdeu participação relativa e deixou de ocupar a segunda posição entre os principais grupamentos. Em 2025, o conjunto formado por administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais passou a ocupar essa posição.

Trabalhador mais escolarizado

Outro destaque do levantamento é a mudança no nível de escolaridade da população ocupada. Em 2012, 30% dos trabalhadores tinham pelo menos o ensino médio completo ou superior incompleto. Em 2025, esse percentual chegou a 41,1%.

No sentido contrário, a parcela de pessoas ocupadas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu de 44,8%, em 2012, para 27,9% em 2025. O gráfico apresentado pelo IBGE na página 3 do documento mostra a evolução dessa mudança ao longo da série.

Em 2012, 30% dos trabalhadores tinham pelo menos o ensino médio completo ou superior incompleto. Em 2025, esse percentual chegou a 41,1%Em 2012, 30% dos trabalhadores tinham pelo menos o ensino médio completo ou superior incompleto. Em 2025, esse percentual chegou a 41,1% (Foto: Divulgação/IBGE)

A população em idade de trabalhar também aumentou no período, passando de 5,571 milhões para 6,685 milhões de pessoas, enquanto a população fora da força de trabalho passou de 2,072 milhões para 2,649 milhões.

Microempreendimentos

Entre as pessoas ocupadas que não são empregados do setor público nem trabalhadores domésticos, os microempreendimentos privados, com até cinco pessoas ocupadas, concentravam a maior parcela da ocupação no Pará em 2025: 62,9%. O percentual representa aumento de 0,3 ponto percentual em relação a 2012.

As pequenas empresas privadas, com seis a dez pessoas, respondiam por 8,8%, enquanto as médias empresas, com 11 a 50 trabalhadores, concentravam 9%. Já as grandes empresas privadas, com 51 pessoas ou mais, reuniam 19,3% dos ocupados, uma redução de 1,1 ponto percentual na participação ao longo do período.

Formalização avança

A proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) também aumentou. No Pará, o índice passou de 8,6%, em 2012, para 11,8%, em 2025. Apesar do crescimento, o avanço foi menor que o registrado no país, onde a proporção passou de 24% para 35% no mesmo período. A formalização entre mulheres paraenses chegou a 15,4% em 2025, 5,3 pontos percentuais acima da registrada entre os homens.

Sindicalização para de cair

Depois de anos de redução, a taxa de sindicalização apresentou estabilidade nos anos mais recentes. Em 2025, o indicador ficou em 9%, segundo o gráfico da página 5 do documento, após registrar 8,8% em 2022 e 2023 e 8,6% em 2024.  A diferença entre homens e mulheres também diminuiu. Em 2012, a taxa de sindicalização masculina era 2,7 pontos percentuais superior à feminina. Em 2025, a diferença caiu para 1,5 ponto percentual.

O local onde os paraenses trabalham também apresentou mudanças. O estabelecimento do próprio empreendimento continuou sendo o principal local de exercício da atividade, com 45,8% dos ocupados em 2025, contra 46,5% em 2012. Já a parcela de trabalhadores em fazendas caiu de 18,5% para 14,8%, enquanto aqueles que trabalhavam em locais determinados pelo empregador, patrão ou cliente passaram de 13,4% para 17%. (Com Oliberal)

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