DA REDAÇÃO — Um artigo publicado pela equipe editorial de Ciência da Nasa, a agência espacial americana, em 2022, voltou a repercutir recentemente, especialmente por sua interpretação sobre os impactos da crise climática em regiões do Brasil. O texto, que discute os riscos associados ao aumento da temperatura de bulbo úmido, destaca Marabá, no sudeste do Pará, como uma das localidades que já registram níveis alarmantes dessa medida climática.
A temperatura de bulbo úmido é uma combinação entre temperatura e umidade, que reflete a capacidade do corpo humano de resfriar-se através do suor. O estudo em questão, inicialmente publicado em 2020 na revista científica Science. indica que uma temperatura de bulbo úmido superior a 35°C é considerada o limite de sobrevivência humana, uma vez que o mecanismo de termorregulação do corpo se torna ineficaz nessas condições. Em Marabá, essa medida chegou a 33,6°C, a mais alta registrada no Brasil.
Marabá, juntamente com cidades como Cabo Frio (RJ) e Tefé (AM), aparece no estudo como uma das regiões brasileiras mais suscetíveis ao aumento da temperatura de bulbo úmido, com valores próximos ao limite considerado crítico para a vida humana. Esse dado coloca a cidade paraense em um cenário de alerta, especialmente diante das projeções da NASA que indicam que, nas próximas décadas, o Brasil poderá enfrentar condições climáticas cada vez mais severas.

Segundo o estudo, desde 2005, a temperatura de bulbo úmido de 35°C foi atingida pelo menos nove vezes em outras regiões do mundo, como Paquistão e Golfo Pérsico. No Brasil, a situação ainda não chegou a esse extremo, mas as temperaturas ligeiramente abaixo do ponto crítico (entre 32°C e 35°C) triplicaram nos últimos 40 anos.
A NASA alerta que, se o aquecimento global continuar a seguir as tendências atuais, diversas regiões do mundo, incluindo partes do Brasil, poderão ultrapassar o limite de 35°C de temperatura de bulbo úmido com frequência.
A climatologista Karina Bruno Lima, doutoranda em Climatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, reforça a necessidade de limitar o aquecimento global a bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais para mitigar esses riscos.
“Várias regiões do mundo podem passar os 35°C de temperatura de bulbo úmido com certa frequência (em um cenário com menos) de 2.5°C de aquecimento global (temperatura do planeta relação ao período pré-industrial)”, alerta a climatologista.
“Logo, é essencial que consigamos limitar o aquecimento global antropogênico bem abaixo dos 2°C para diminuir este e outros riscos”, finaliza Karina. (Portal Debate)


