Líbano proíbe “Barbie” e alega que filme “promove a homossexualidade”

Recentemente, o governo libanês pediu aos cidadãos que “mantenham seus valores familiares”
Mohammad Mortada, ministro da cultura do Líbano, disse que o filme "promove a homossexualidade e a transformação sexual" e "contradiz os valores de fé e moralidade" Warner Bros. Pictures

O ministro da Cultura do Líbano, Mohammad Mortada, anunciou a proibição do filme “Barbie” nos cinemas do país. De acordo com a agência de notícias “Reuters”, a decisão foi divulgada no início deste mês (9). O ministro alegou que o filme “promove a homossexualidade e a transformação sexual”, indo contra os “valores de fé e moralidade”, além de diminuir a importância da unidade familiar.

A medida foi tomada com o respaldo do grupo armado muçulmano xiita Hezbollah, cujo líder, Hassan Nasrallah, tem intensificado um discurso anti-LGBTQIA+, considerando a comunidade como um “perigo iminente” para o país e instando a sua “confrontação”.

Consequentemente, o ministro do Interior, Bassam Mawlawi, solicitou ao comitê de censura da Segurança Geral, subordinado ao Ministério do Interior e responsável pelas decisões de censura, que revise o filme e emita sua recomendação.

Enquanto o Líbano foi pioneiro no mundo árabe ao sediar uma semana do orgulho gay em 2017, as tensões em torno da questão têm aumentado. No ano passado, Mawlawi já havia proibido eventos “promovendo perversão sexual”, uma ação amplamente interpretada como dirigida a reuniões “LGBT-friendly”.

Segundo a “Reuters”, Ayman Mhanna, diretor executivo da fundação cívica sem fins lucrativos Samir Kassir Foundation, afirmou que a proibição do filme faz parte de uma campanha mais ampla envolvendo o Hezbollah, grupos extremistas cristãos e outros líderes religiosos, todos unidos contra a comunidade LGBTQIA+.

Recentemente, o governo libanês pediu aos cidadãos que “mantenham seus valores familiares” após uma reunião com o principal clérigo cristão do país, o patriarca Bechara Boutros al-Rahi. Embora não tenha mencionado explicitamente a comunidade LGBTQIA+, a ação ressoa em um contexto de repressão mais abrangente. (Portal Debate, com CNN Brasil)

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