O papa Leão XIV afirmou nesta quinta-feira (11) que a Europa “não pode proclamar a dignidade humana” enquanto se habituar ao drama de migrantes mortos no Mediterrâneo e no Atlântico, que ele descreveu como “cemitérios sem lápides”. Em discurso no Porto de Arguineguín, na Gran Canária, ele pediu um “exame de consciência” a políticos, governos, sociedade civil e à comunidade internacional.
Diante de 1.800 pessoas, entre elas centenas de imigrantes, o pontífice afirmou que os migrantes não são “números nem processos”, mas pessoas que deixaram família, casa e sonhos para trás. Segundo ele, a dignidade humana exige “vias legais e seguras” de imigração, resgate e assistência, cooperação contra traficantes, proteção das vítimas, acolhimento e integração.
Leão XIV disse ainda que o drama migratório deve levar a um exame de consciência dos países de origem, que precisam criar condições de paz, justiça e desenvolvimento; dos países de trânsito, que devem proteger os migrantes das redes criminosas; e da Europa, que não pode se acostumar com as mortes no mar. Ele também dirigiu seu apelo à Igreja Católica, a outras religiões e a “todos os homens e mulheres de boa vontade”.
O papa chegou nesta quinta-feira às Ilhas Canárias para uma visita de dois dias dedicada à imigração e ao fenômeno das pateras, em uma agenda que inclui encontros com migrantes, organizações não governamentais e outras entidades que atuam no resgate e acolhimento de pessoas que chegam às ilhas. Um dos momentos simbólicos da viagem foi a passagem pelo Porto de Arguineguín, conhecido como o “cais da vergonha” em 2020, durante um novo pico de chegadas às Canárias. (Com Jornal de Brasília)


