Justiça mantém presos acusados de integrar esquema milionário de fraudes no Pará

Cinco investigados seguem em prisão preventiva e servidores públicos foram afastados por suspeita de envolvimento em desvio de recursos, lavagem de dinheiro e manipulação de contratos

A Justiça Federal decidiu manter a prisão preventiva, por tempo indeterminado, de cinco investigados pela Operação Expertise, deflagrada na última terça-feira (2) pela Polícia Federal no Pará. A medida, atendendo pedido do Ministério Público Federal (MPF), busca preservar a ordem pública e evitar possíveis interferências nas investigações.

Além das prisões, a decisão judicial determinou o afastamento de servidores que ocupavam cargos estratégicos em órgãos estaduais e municipais. Segundo as investigações, eles teriam contribuído para a atuação do grupo criminoso, que se especializou em fraudar contratos, lavar dinheiro e movimentar recursos por meio de empresas de fachada.

O esquema envolvia órgãos como a Prefeitura de Marituba, o Departamento de Trânsito do Pará (Detran/PA) e a Polícia Científica do Estado (PCEPA). A atuação criminosa se dava por meio de licitações fraudulentas, emissão de notas fiscais frias, uso de “laranjas” para movimentação bancária e aquisição de bens de luxo com recursos desviados.

Foram mantidos presos os investigados Alberto Furtado Pinheiro, Alex Jordano Santos da Cunha, Fabrício Buarque Correa, Jacélio Farias da Igreja e Sandro Rogério Nogueira Sousa Matos. Entre os afastados estão nomes ligados diretamente à assinatura de contratos e movimentações financeiras sem justificativa, como:

  • Ana Cláudia Duarte Lopes (Prefeitura de Marituba): fiscal de contrato e beneficiária de valores acima de R$ 850 mil.
  • Celso da Silva Mascarenhas (PCEPA): diretor-geral, acusado de homologar pregão eletrônico fraudulento.
  • Cynthia de Nazaré Portilho Rocha Pantoja (PCEPA): chefe de gabinete, que recebeu pagamentos indevidos.
  • Denis Figueiredo da Silva (PCEPA): perito contábil flagrado recebendo mala de dinheiro.
  • Edilvandro Augusto de Almeida Pereira (Detran/PA): beneficiado com R$ 49 mil, também já atuou em outros cargos públicos.
  • Renata Mirella Freitas Guimarães de Souza Coelho (Detran/PA): diretora-geral, apontada como responsável por contratos milionários suspeitos.

De acordo com a decisão, esses servidores tinham acesso privilegiado a sistemas e documentos oficiais, o que poderia comprometer as investigações caso continuassem no exercício das funções.

No balanço parcial da operação, a Polícia Federal informou a apreensão de R$ 881 mil em dinheiro nacional e estrangeiro, 31 veículos, 88 peças de joias e sete relógios Rolex. O bloqueio judicial de ativos pode chegar a R$ 198 milhões.

A Operação Expertise mobilizou 65 policiais federais e seis auditores da Controladoria-Geral da União (CGU), além de cumprir 18 mandados de busca e apreensão. O MPF segue analisando contratos, transações financeiras e contas bancárias dos investigados. (Com informações do Estado do Pará On-line)

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