A jovem que matou a adolescente Isabele Guimarães Rosa, em 2020, com um tiro no rosto, foi expulsa do curso de medicina da faculdade São Leopoldo Mandinc, localizada em Campinas, São Paulo. A informação foi divulgada pela coluna True Crime, do jornal O Globo.
Uma aluna do quinto período de medicina teria descoberto a identidade da jovem e espalhado pela faculdade quem ela era e de qual crime se tratava a condenação por homicídio. Após o ocorrido a turma começou a rejeitar a colega de classe e um grupo de mães teria ficado inconformado com a presença da jovem no curso e pressionado a faculdade que recebeu uma denúncia feita ao comitê de compilance da instituição.
Sugundo a São Leopoldo, serão devolvidos os valores pagos pela estudante. Cada mensalidade do curso de medicina custa cerca de R$ 13 mil.
Veja na íntegra a nota da faculdade São Leopoldo Mandinc:
Em relação ao caso da aluna ingressante no curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, a Instituição tomou conhecimento do fato a partir de uma denúncia feita ao Comitê de Compliance.
Foi feita uma apuração e constatado que a presença da aluna gerou um clima interno de grande instabilidade do ambiente acadêmico.
Com base no Regimento Interno da Instituição e no Código de Ética do Estudante de Medicina, publicado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), a Faculdade São Leopoldo Mandic decidiu pelo desligamento da aluna, assegurando a ela a apresentação de recurso, em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa.
A Faculdade tem como nortes a estabilidade de sua comunidade, a dignidade acadêmica e o respeito aos princípios éticos que regem o ensino superior, para o que se faz necessário afastar riscos à reputação e imagem da Instituição, construída ao longo dos últimos 30 (trinta) anos.
Relembre o caso
Isabele foi morta com um tiro que perfurou a narina e saiu pelo crânio, no dia 12 de julho de 2020. Ela tinha ido à casa de uma vizinha, moradora do mesmo condomínio, convidada pela adolescente, que na época tinha 15 anos, para fazerem juntas um bolo. Ambas moravam em um condomínio de luxo de Cuiabá e Isabele costumava frequentar a casa da vizinha. A jovem moradora da casa tinha o hábito de praticar tiro esportivo com seuS pais e irmãos.
No seu depoimento, a adolescente explicou que a arma era do namorado, que tinha 16 anos na época e que ele teria levado duas armas para casa, para mostrar ao pai da jovem, que tinha interesse de comprar. A jovem afirmou ainda que se desequilibrou com o case enquanto batia na porta do banheiro para chamar a amiga e que, quando caiu, a caixa de transporte teria ficado aberta, deixando uma das armas para fora. Segundo a mesma ela não se lembra de ter apertado o gatilho, mas acredita ter acionado acidentalmente o disparo que matou a amiga. Há indícios de que a cena do crime foi alterada e lavada.
A adolescente apontada como autora do disparo foi indiciada por ato infracional análogo a homicídio qualificado, imprudência e imperícia. Passou 18 meses detida no Lar Menina Moça, uma unidade para menores infratores, parte do Complexo do Pomeri e foi liberada em junho de 2022, após um recurso que conseguiu alterar a tipificação do crime para ato análogo a homicídio culposo (quando não há a intenção de matar).
Os pais da adolescente que matou Isabele também se tornaram réus, por homicídio culposo, posse ilegal de arma de fogo, entrega de arma de fogo a pessoa menor, fraude processual e corrupção de menores. O processo segue tramitando e até o momento não houve pedido de prisão dos pais.


