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Jornalistas do Grupo Liberal paralisam atividades em Belém

Classe cruzou os braços, na manhã desta sexta-feira (20), e aderiu ao protesto em frente à afiliada da Rede Globo.
Crédito: Reprodução

O Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará (Sinjor) entrou em contato com o Portal Debate, na tarde desta sexta-feira (20), e informou sobre a paralisação e protesto da classe, na frente da TV Liberal, afiliada da Globo, reivindicando reajuste e reposição de perdas salariais, no período ente 2018 a 2021, atingindo um percentual que chega a 26%.

De acordo com o Sinjor, os integrantes da categoria bateram o ponto, paralisaram as atividades laborais e desceram para fortalecer a mobilização na frente do prédio da TV Liberal. O Sindicato acusa o Grupo Liberal de não promover o acordo coletivo para não repor as perdas salariais de seus funcionários. A Reportagem não conseguiu contato com a empresa, mas, caso aja manifestação, o texto será anexado à matéria. Leia a nota abaixo:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Sindicato dos Jornalistas no Estado do Pará (SINJOR-PA) vem publicamente responder à nota do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado do Pará (Sertep) e ao Grupo Liberal.

Desde o ano passado (2021), a nova gestão do SINJOR-PA – Sempre na Luta vem buscando as empresas individualmente, aquelas que tinham acordos coletivos com a entidade, casos do Grupo Liberal, Funtelpa e Grupo Diário/RBA, e o sindicato patronal para assinatura para convenção coletiva para as outras empresas de Rádio e Televisão na busca de repor as perdas salariais da categoria que de 2018 a 2021 ultrapassavam 14%.

Após algumas reuniões, a proposta final da Sertep foi apenas 5,5% de reajuste. Proposta indecorosa, abaixo da inflação do ano passado. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) somente de 2020/2021 a inflação somou 7,11%.

Além dos 5,5%, o sindicato dos patrões ainda quis mudar o mês da data-base para agosto, para assim não pagar os retroativos referentes aos meses de abril, maio, junho e julho; conceder um abono somente uma vez no ano para os trabalhadores; e reajuste do piso da categoria para R$ 1.650. Sem conceder nem ao menos a inflação de 2021, com uma armadilha para os jornalistas, o Sertep ainda enviou email dizendo que “todas as perdas até 01 de agosto de 2021 serão consideradas quitadas”.

Em assembleia geral, no final do ano passado, os jornalistas do Pará não aceitaram a proposta e decidiram pedir intermediação do Ministério Público do Trabalho do Pará e Amapá (MPT-PA
AP). A categoria aguarda agora mediação pelo MPT junto à Sertep.

Neste ano, os patrões continuam querendo quitar todas as perdas salariais (2018, 2019, 2020, 2021 e 2022) com apenas 5,5%. Somente no último ano de abril de 2021 a abril de 2022
alcançou 12%.

Essa prática costumeira do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Pará (Sertep) em acumular perdas ao longo dos anos para negociar parte do percentual repete-se nas negociações, o que vem empobrecendo a categoria e reduz o piso a inconcebíveis R$ 1.500. O piso do Sertep está somente R$ 288 acima do salário mínimo, e muito distante do que é recomendado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para os trabalhadores que é de R$ 6.394,76.

A atual proposta da Sertep de 5,5% está longe de representar reposição das perdas e muito menos um aumento efetivo do poder de compra da categoria.

Grupo Liberal

Ao longo dos últimos meses, o Grupo Liberal não respondeu as insistentes tentativas do SINJOR para uma contraproposta. Mesmo após uma reunião com a advogada do Grupo, e outro encontro com o presidente do conglomerado, que prometeu realizar um estudo de viabilidade financeira para conceder um reajuste digno para a categoria, o grupo se calou.

Sem nenhuma resposta, e com a suspeita de que haveria intenção do Grupo em desmembrar os jornalistas da TV Liberal e Rádio Liberal do Acordo Coletivo específico para seguir as regras da Convenção Coletiva da Sertep, com menos direitos e salário reduzido, o SINJOR buscou mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Somente após intimação do MPT, no último dia 9 de maio, os advogados do Grupo Liberal explicitaram que a proposta era a mesma do Sertep de 5,5%. Os advogados informaram que não poderiam “dar tratamento desigual para os jornalistas”, ou seja, o reajuste de 5,5% seria para todos os jornalistas do grupo impresso, portais, televisão e rádios.

Fato que se confirmou na véspera do ato convocado pelo SINJOR em frente à TV Liberal, para essa sexta-feira, dia 20, quando o conglomerado divulgou uma nota aos jornalistas informando que está concedendo aumento de 5,5%, como “adiantamento de maio de 2022”. A empresa ainda divulgou que a “decisão se deu em razão das dificuldades na negociação coletiva desta categoria”.

A direção do Grupo Liberal e seus advogados esquecem de dizer que tiveram cinco anos para reajustar o salário dos jornalistas por iniciativa própria. Tentam na véspera da manifestação dos jornalistas desmobilizar a categoria com migalhas. O Grupo Liberal e o Sertep querem esquecer o total de 26% de reajuste que devem aos jornalistas. Faltam ainda 21% de perdas salariais.

O Grupo ainda “esquece” de seguir a Lei Trabalhista ao não pagar as horas-extras dos jornalistas, já que não há acordo coletivo com a categoria. Além de ter suspendido as progressões de carreira, desde 2018, para os jornalistas após dois anos de casa. O Grupo Liberal esquece de dizer que o SINJOR está há um ano tentando negociar.

Após várias tentativas infrutíferas, os jornalistas decidiram ir para as ruas. O Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará (SINJOR-PA) não aceitará mais o rebaixamento dos salários e dos direitos da categoria. Os jornalistas querem todas as perdas salariais! Todos e todas à manifestação em frente à TV Liberal, nesta sexta-feira, dia 20, às 8h!

Chega de desrespeito!

Queremos reajuste de verdade!

Crédito: Reprodução

Fonte: Portal Debate

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