MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ – Em sessão solene na última quarta-feira (1º), data em que se celebra anualmente o Dia da Imprensa, a Câmara Municipal de Marabá (CMM) concedeu a Comenda Mérito Jornalístico à jornalista Eva Fernandes de Souza, que desempenha as suas funções neste Portal Debate, de forma efetiva, desde o início do ano. A outorga da homenagem, realizada no Plenário Tiago Koch, foi proposta pelo vereador Paulo Sérgio do Rosário Varela (Cidadania). Além dela, outros 16 profissionais da comunicação local também foram homenageados.
Para o presidente da Câmara, Pedro Corrêa Lima (União Brasil), homenagear os trabalhadores da Imprensa em Marabá é reconhecer o relevante trabalho de todos os profissionais pela excelência com que fazem a informação se transformar em notícia. “Para mim é um orgulho homenagear essas pessoas que têm uma importância para o município e respeitamos a Imprensa em todos os sentidos, pois leva até a população tudo que acontece nesta casa”, destaca ele.
Representando os demais vereadores, Marcelo Alves (PT) disse que a Imprensa, outrora, era considerada o quarto poder, pela influência que exerce na sociedade. “Mas o debate de hoje mudou o contexto, porque a Imprensa passou a ser muito questionada por conta da internet. A Câmara de Marabá está reafirmando a participação e valores da Imprensa, dizendo que são importantes para manutenção da democracia. A informação é poder”, destacou.
Marcelo sustentou que há uma dívida com os profissionais de comunicação de Marabá, que precisam de um curso de jornalismo. Lembrou que a Câmara aglutinou esse debate em 2021 junto com a Unifesspa e que ele precisa ser retomado, juntamente com a Prefeitura local.

Elvan do Vale, representante da Associação de Imprensa de Marabá, disse que os veículos e profissionais que atuam nos veículos locais não devem nada aos grupos de mídia dos grandes centros do País e parabenizou os colegas de todos os veículos que foram homenageados na sessão solene e elogiou a Câmara por ter instituído a comenda de homenagem pelo Dia da Imprensa.
Em sua fala na Tribuna da Câmara Municipal, Eva Fernandes agradeceu a presença de amigos e familiares durante o ato de homenagem e entrega da comenda. A jornalista tem raízes e reside na Região do Rio Preto, na zona rural de Marabá, e percorreu uma longa distância em estrada de difícil deslocamento para ser homenageada. Eva mencionou ainda que, apesar de ter se formado na sua área de atuação, decidiu retornar para a região por entender que o desenvolvimento precisa chegar aos lugares mais afastados dos grandes centros populacionais.
Na mesa das autoridades, também falaram Walmor Costa, chefe de Gabinete do prefeito Tião Miranda; o magnífico reitor da Unifesspa, Francisco Ribeiro; Luciano de Aquino Valente Júnior, chefe de Comunicação Social e Relações Institucionais da 23ª Brigada de Infantaria de Selva; tenente-coronel José Ricardo Passos Chaves, representando o CPR II; e Wagner Fabian dos Santos Pereira, subcomandante do 5º Grupamento de Bombeiros Militar.
Conheça Eva Fernandes
Eva Fernandes de Souza é filha dos produtores rurais Adão Alves de Souza e Rute Fernandes de Souza. Seus irmãos são: Adão Filho, William Fernandes, Maria Verônica, Jocilene Fernandes e Adailson Moisés.
Seu pai, o Sr. Adão, mais conhecido como Adão Preto, chegou para a região em meados da década de 60. É um dos pioneiros do lugar, maranhense de nascimento, mas paraense de coração por amor a esta terra. Amor este transmitido como herança aos filhos. Desbravador destas terras à época em que só havia veredas e rios ao invés de estradas. Suas primeiras cabeças de gado chegaram de barco. O transporte era feito por avião “tecoteco” sobre o lindo verde manto da floresta a contrastar com a imensidão azul do céu.
Este é o berço que recebeu Eva Fernandes de Souza, gerada nas entranhas destas terras e nascida, em Marabá, não por acaso no mês em que se comemora mundialmente o meio ambiente, vislumbre de quem seria a personagem que ora chegava a este mundo, no dia 16 de junho de 1988, sob os cuidados das mãos do saudoso Dr. Veloso, um dos maiores políticos que a região já conheceu.
Eva formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão, onde também se pós-graduou em Assessoria de Comunicação Institucional e Empresarial. Recentemente tornou-se mestre em Letras pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – UNIFESSPA.
Eva Fernandes viveu e conviveu por toda sua infância e adolescência nestas terras do Rio Preto, alçando voo apenas em meados de 2002 em busca de conhecimentos. Não medindo dificuldades, estudou em Tucuruí e em Imperatriz, sendo esta última a cidade que lhe proporcionou a base necessária para alcançar o acesso à tão sonhada universidade.

Em Agosto de 2008, ingressou no curso de jornalismo da UFMA. Persistente, mesmo em face das inúmeras dificuldades, em especial a distância da família, não desistiu, resistiu e conquistou seu sonho de formação às duras penas. Mas, como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Naquele período, trabalhando em Call Center de uma concessionária de energia no turno da madrugada e estudando jornalismo no período da tarde, a jovem acreditava firmemente que “a confiança em Deus é o principal alimento para a realização pessoal”, premissa esta que direciona seus passos até a presente data.
Antes mesmo de concluir a faculdade, foi fotógrafa do senador Roberto Rocha e Valéria Macedo, entre outras figuras importantes da política maranhense. Eva também trabalhou na prefeitura de Imperatriz como coordenadora de jornalismo na gestão do prefeito Sebastião Madeira, um dos mais importantes prefeitos de Imperatriz. Todavia, faltava algo!
Sonhava em usar os conhecimentos que adquiriu nessa viagem em busca de aprendizagem, para contribuir com a região em que foi gerada e que sobre a qual deu seus primeiros passos. Porém, precisou de um chamado.
Ecoaram dois aos seus ouvidos. Um para o Mestrado em Letras pela UNIFESSPA em Marabá, o outro para casar-se com o produtor rural, Cláudio César Leal, mineiro determinado, trabalhador, admirável e também amante destas terras paraenses e por isso morador do PA Maravilha, Estrada Rio Preto. Este era um amor que vinha sendo construído desde que a jornalista tinha 18 anos de idade. Aquele, um sonho de amor que ela vislumbrava desde que concluiu a graduação. Eva prontamente atendeu aos dois chamados e seus passos retornaram aos caminhos do Rio Preto.
A tão sonhada possibilidade de contribuir com a sua região era agora realidade. Chegara o tempo de usar toda a experiência e aprendizagem que adquirira ao longo de 15 anos para então ajudar seu povo a assumir o papel de protagonistas e buscar melhorias. Atualmente, Eva escreve para um dos maiores veículos de notícias de Marabá, o Portal Debate, e exerce a profissão de fotógrafa, canais por meio dos quais divulga com frequência a Região do Rio Preto. Uma terra rica, que, contudo, precisa de uma atenção maior dos poderes públicos.
A jornalista é também assessora de imprensa voluntária da Associação de Produtores Rurais do Assentamento Maravilha –ASPRAMA -. Além disso, faz coberturas para a Associação Sul Paraense de Pecuaristas- ASPAPE.
Eva sente que está no caminho certo. Para ela é um prazer servir à sua comunidade, colocando à disposição do povo seu ofício e amor de jornalista, que ela tanto lutou pra alcançar. As madrugadas sem dormir e as festas as quais não compareceu constituíram um tempo de renuncia, porém de semeadura que proporcionou os frutos que agora são colhidos. Como disse Cora Carolina: “Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher”.
O desejo de Eva é que os jovens da região inspirem-se na sua trajetória e tenham certeza que não são as circunstancias que definem o que seremos e nem como seremos e sim a nossa fé em Deus e persistência para lutar por nossos sonhos.
Quem não tem fé no agir de Deus jamais acreditaria que uma adolescente cuja base de ensino não foi adequada, poderia vencer as barreiras e por os pés em altos patamares das letras e do conhecimento acadêmico brasileiro. Dada as circunstancias: falta de escola na zona rural; banquinhos improvisados de madeira sem apoio; caderninhos no colo. Depois, dificuldade de adaptar-se à cidade e ao ensino da zona urbana de estrutura melhor, porém de greves constantes; falta de professores, enfim… Circunstâncias das mais adversas. Mas os olhos da gratidão não permitiam que Eva se apegasse às dificuldades. Pelo contrário, intensificava sua determinação de estudar para compensar as perdas. Gratidão! Sim, gratidão! Essa é a palavra que resume a trajetória de Eva Fernandes até aqui e lhe proporciona um olhar mais sensível para a realidade à sua volta. Parafraseando Cora Carolina, Eva diz: “Para se escalar a montanha da vida é necessário remover pedras e plantar flores”.
(Portal Debate)


