Após meses de controvérsia e expectativa, o Japão está se preparando para iniciar a liberação de águas residuais radioativas tratadas da usina nuclear de Fukushima no final desta semana, apesar das objeções veementes de alguns países. O plano, que se desenrola há anos, foi justificado pelas autoridades em 2019, alertando sobre a exaustão do espaço de armazenamento e a falta de alternativas viáveis.
O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, anunciou oficialmente que a liberação das águas está programada para ocorrer na quinta-feira (24), desde que não haja obstáculos significativos. As águas residuais passaram por tratamento contínuo ao longo dos anos para remover os elementos nocivos e foram armazenadas em tanques. A maioria do material passou por um segundo tratamento, conforme informado pela distribuidora de energia estatal Tokyo Electric Power Company (TEPCO).
No momento da liberação, as águas residuais serão amplamente diluídas com água limpa, apresentando concentrações muito baixas de material radioativo. Essa água será direcionada por um túnel submarino, localizado a cerca de 1 quilômetro da costa, para o Oceano Pacífico.
O processo será monitorado por terceiros, incluindo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas. A AIEA manterá um monitoramento contínuo da situação por meio de seu escritório recém-inaugurado em Fukushima.
A motivação por trás da decisão japonesa remonta ao devastador terremoto e tsunami de 2011, que danificou severamente os sistemas de energia e de resfriamento da central nuclear de Fukushima. O vazamento de material radioativo na água da central foi resultado desses danos. Desde então, as águas subterrâneas e pluviais também contribuíram para a acumulação de águas residuais radioativas, que precisam ser tratadas e armazenadas.
Embora a maioria dos elementos perigosos tenha sido removida das águas residuais, um isótopo radioativo de hidrogênio chamado trítio permanece, pois não existe tecnologia viável para sua remoção. Enquanto as autoridades japonesas, a TEPCO e a AIEA argumentam que a liberação controlada é segura, alguns cientistas têm preocupações sobre o impacto no ecossistema marinho e acumulação de poluentes.
A reação internacional ao plano tem sido mista. Enquanto os EUA e Taiwan oferecem apoio, China e ilhas do Pacífico expressaram forte oposição, alegando riscos à saúde humana e ao meio ambiente. A ansiedade pública aumentou, com consumidores na Ásia estocando alimentos por medo de contaminação futura. A indústria pesqueira em áreas afetadas também enfrenta incertezas sobre seu futuro, visto que a reação adversa pode afetar seus meios de subsistência. (Portal Debate, com CNN Brasil)


