Com a diplomação efetivada e a equipe ministerial fechada, Jair Bolsonaro se prepara para iniciar o mandato no Palácio do Planalto com o apoio direto de oito oficiais das Forças Armadas.
O número é maior do que os indicados pelos cinco principais presidentes do
período militar, na década de 1960: Humberto Castelo Branco, Artur da Costa e
Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo.


A partir de
levantamento no site Biblioteca da Presidência da República, é possível contar
os oficiais que estiverem em postos-chaves entre abril de 1964 e março de 1985.
Enquanto Castelo Branco (1964-1967) convocou cinco oficiais, Costa e Silva
(1967-1969), Médici (1969-1974) e Geisel (1974-1979) tiveram sete — Figueiredo
(1979-1985) indicou seis. No governo Bolsonaro, cargos de primeiro escalão são
ocupados por nove militares.


Além dos generais
Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança
Institucional), Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) e do
almirante Bento Costa Lima Leite (Minas e Energia), o primeiro escalão ainda é
composto pelos capitães Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e Wagner Rosário
(Controladoria-Geral da União) e o tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e
Tecnologia). Além deles, o general Santa Rosa vai comandar a Secretaria de
Assuntos Estratégicos (SAE), que não tem status de ministério.


“É preciso somar
ainda o presidente Bolsonaro (capitão) e o vice Hamilton Mourão (general)”, diz
o escritor Luiz Cláudio Cunha, que ontem abriu a audiência pública no Senado em
homenagem aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, instituída
pela Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 1948. Durante o evento,
a forte presença dos militares no futuro governo foi vista como um risco para o
regime democrático por palestrantes. Nos governos da ditadura, havia três
ministérios militares, um para cada Força, que foram extintos em 1999 por
Fernando Henrique Cardoso — ele criou a pasta da Defesa.

Um dos ministros
militares integrante de vários governos na ditadura foi Jarbas Passarinho, que
chegou ao posto de tenente-coronel, além de governador do Pará, presidente do
Senado e ministro da Educação, Previdência Social nas gestões Figueiredo,
Médici e Costa e Silva — também foi o titular da Justiça no período Collor de
Mello.


Fonte: Agência
Brasil