MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ – As obras de construção da segunda ponte sobre o Rio Tocantins foram interrompidas nesta semana após uma família reclamar os direitos pela propriedade da terra que deve receber as cabeceiras da obra viária.
Adelmar Pereira de Souza alega que a área, apesar de ter sido alvo de invasão nos últimos anos, ainda é de propriedade de sua família e que não foi negociada ou vendida para a Vale ou para terceiros.
Adelmar relata ainda que encerrou as atividades da mineradora no local após perceber o início das obras na área que seria de sua propriedade, e denuncia suposta ilegalidade cometida pela Vale, que teria ‘invadido’ a área sem apresentar ‘documentos’.
A área em questão pertencia à bisavó de Adelmar, Ana Medrado, e continuou na posse da família ao longo dos anos. A localidade tem documentação desde 1965, quando foi concedida por enfiteuse para Ana Medrado, pelo Estado do Pará.
A advogada da família, Rafaela Botelho, conversou com a nossa equipe de reportagem e narra o drama da família desde 2013, quando começaram as especulações sobre a possível construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins naquela propriedade.
A advogada expõe também que a família mantinha uma casa na propriedade até 2016, mas precisou se retirar por risco de morte após a chegada de invasores, particularmente 50 famílias que seriam integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).
Rafaela garante que o caso já está sendo judicializado e que a Vale será cobrada sobre a suposta invasão da propriedade que seria de Adelmar e sua família.

Contraditório
Procurada pelo Portal Debate 5 Anos, a Vale, por meio de nota, se limitou em dizer que “iniciou as obras para implantação da Ponte sobre o Rio Tocantins, tendo obtido as autorizações para ingresso nas áreas. A empresa adotará as medidas legais cabíveis e mantém diálogo com a família”.
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Marabá (Secom PMM) também enviou nota, por meio da qual não negou que tenha autorizado a mineradora a ingressar na terra.
“As tratativas sobre a construção da nova ponte estão sob responsabilidade da Vale. De qualquer forma, esta informação será repassada à Superintendência de Desenvolvimento Urbano do município para o alinhamento da informação ao cidadão”. (Portal Debate)


