Imagens perturbadoras revelam agressões sofridas por jovem que tirou a própria vida em Marabá

Autora das agressões teria sido a mãe da vítima, que será denunciada ao Ministério Público do Pará na manhã desta terça-feira (16). Suspeita de LGBTfobia vem indignando a sociedade paraense e aumentando a comoção em torno do caso
Crisan César Costa Santos, de 19 anos, não teria sido aceito pela mãe ao se assumir homossexual | Foto: Arquivo Pessoal

MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — A morte do jovem Crisan César Costa Santos, de 19 anos, vem indignando diversos setores da sociedade paraense após a revelação de vídeos, fotos e trocas de mensagens chocantes que não deixam dúvidas do contexto conturbado que pode ter culminado no desfecho trágico. A falta de aceitação familiar sobre a sexualidade da vítima teria sido motivo de diversas contendas, que resultaram em lesões corporais graves em Crisan Santos, que registrou cada detalhe das agressões supostamente praticadas pela própria mãe.

Em vida, a vítima registrou diversos episódios de violência e agressões físicas, nos quais alegou que os ferimentos foram causados por sua própria genitora. Os registros incluem vídeos e trocas de mensagens feitos pelo próprio Crisan, onde ele aparece ensanguentado e machucado. Porém, a vítima nunca denunciou as agressões sofridas, temendo retaliações, pois não teria onde morar. A suspeita de homofobia vem aumentando a comoção em torno da morte do rapaz.

Ao tomar conhecimento dos fatos, o presidente do Grupo Atitude LGBT+ de Marabá, Vinícius Soares, formalizou o caso junto à Polícia Civil (PC) e ao Ministério Público do Pará (MPPA). O ativista de Direitos Humanos registrou boletim de ocorrência via Delegacia Virtual ainda na noite desta segunda-feira (15). Membros do Movimento LGBT+ de Marabá estarão na 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil às 10h desta terça-feira (16) para endossar o documento.

Em seguida, às 11h, os integrantes do Movimento LGBT+ de Marabá seguirão para a sede do Ministério Público Estadual, onde protocolarão denúncia contra a mãe de Crisan, principal suspeita no caso de possível LGBTIfobia.

Vítima denuncia LGBTfobia da mãe e mostra banheiro ensanguentado após agressões sofridas | Foto: Reprodução

O Grupo Atitude LGBT+ solicita a instauração de um inquérito policial para investigar detalhadamente as circunstâncias da morte de Crisan e para apurar as responsabilidades pelos atos de violência denunciados. Além disso, a organização pediu proteção para as testemunhas e apoio psicológico para os familiares e amigos de Crisan Santos, visando a garantir a segurança e bem-estar de todos os envolvidos neste triste episódio de intolerância.

O corpo de Crisan Santos foi velado durante a tarde desta segunda-feira em uma igreja evangélica na Avenida Paraná, Bairro São Miguel da Conquista, Núcleo Cidade Nova, em Marabá. O sepultamento do jovem ocorreu rapidamente, no mesmo dia, por volta das 17h, no Cemitério Parque de Marabá, às margens da Rodovia BR-230, saída para São Domingos do Araguaia, gerando estranheza de amigos e conhecidos da vítima que foram prestar as últimas homenagens ao rapaz.

A reportagem do Portal Debate não conseguiu contato, até o fechamento desta matéria, com o advogado que está representando os interesses da mãe de Crisan Santos, a fim de obter a versão da família para os fatos expostos nas redes sociais e denunciados às instâncias legais de investigação. O espaço deste diário de notícias permanecerá aberto caso a defesa da suspeita queira se manifestar em outro momento. (Portal Debate)

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