O debate sobre liberdade cultural e religiosa ganhou novo capítulo em Pernambuco após a igreja Assembleia de Deus de Condado, na Zona da Mata Norte, solicitar ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que blocos e arrastões carnavalescos evitem barulho ou o uso de equipamentos sonoros ao passarem em frente aos templos durante os horários de culto, realizados diariamente das 19h às 21h.
A iniciativa motivou a abertura de um inquérito civil pelo MPPE no dia 15 de janeiro com o objetivo de coletar informações sobre a organização do Carnaval no município e ponderar a convivência entre manifestações culturais e atividades religiosas.
No pedido encaminhado ao órgão, a igreja afirma que os altos níveis de ruído gerados pelos blocos carnavalescos interferem diretamente na realização dos cultos, atrapalhando os momentos de oração e pregação. A solicitação provocou controvérsia entre foliões, líderes religiosos e especialistas em direitos constitucionais, que destacam que, embora a Constituição Federal assegure tanto a liberdade de manifestação cultural quanto a liberdade religiosa, é necessário encontrar equilíbrio sem restringir excessivamente os eventos de Carnaval.
O MPPE informou que o inquérito não tem caráter punitivo, mas busca compreender quais políticas públicas e ações municipais estão em vigor para organizar as festividades carnavalescas considerando a proximidade com os locais de culto.
A portaria de instauração do procedimento menciona a Prefeitura de Condado como “investigada”, mas o órgão esclareceu que o foco é levantar informações e, se necessário, atuar como mediador entre as partes para buscar soluções que garantam o respeito às liberdades constitucionais envolvidas.
Impacto das restrições sonoras no Carnaval
Críticos da iniciativa argumentam que a imposição de regras sobre o volume de som em vias públicas durante o Carnaval pode afetar a dinâmica tradicional da festa e levantar questões sobre a intervenção do poder público em eventos culturais.
Por outro lado, defensores do pedido da igreja dizem que a proteção do direito ao culto deve ser considerada, inclusive por meio de diálogo entre organizadores de blocos e líderes religiosos para minimizar conflitos. A polêmica evidencia a complexidade de conciliar direitos constitucionais em um contexto onde festas populares e práticas religiosas compartilham os mesmos espaços urbanos. (Com Diário do Pará)


