MARABÁ (PA) – Nem toda história de maternidade termina com o choro de um bebê. No Hospital Materno Infantil de Marabá (HMI), onde a vida é celebrada todos os dias, também há momentos de silêncio que pedem cuidado, empatia e preparo. Foi com esse propósito que o hospital realizou, nesta semana, a palestra “Intervenção em Crise: Perdas e Luto Perinatal”, voltada aos servidores que lidam diretamente com gestantes e seus familiares, entre eles médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem do acolhimento, enfermarias, UCI Neonatal e centro obstétrico.
Ademais, a ação integra as iniciativas do HMI para promover a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, reforçando a importância de acolher com sensibilidade, às famílias que enfrentam a dor da perda gestacional, fetal ou neonatal.
Segundo a psicóloga Miracilda Modesto, o tema é uma bandeira antiga dentro da unidade, que agora ganha força com a nova legislação sobre o luto perinatal, em vigor desde agosto.
“Nós já defendíamos um espaço de acolhida para essa mulher que acabou de passar por um luto. Ela está em um momento de extrema sensibilidade e precisa de um local apropriado. A equipe precisa estar preparada para lidar com isso, porque, embora não seja o desfecho esperado em uma maternidade, esses casos acontecem, e todos precisam saber como agir”, destaca.
Além disso, Miracilda reforça que o cuidado vai além da assistência médica. “Nem sempre é possível fazer algo pelo bebê, mas sempre há muito a se fazer pela família. É um momento que exige escuta, acolhimento e encaminhamentos adequados. Todos os profissionais, desde o acolhimento até a UCI, precisam estar sensibilizados e preparados para oferecer esse suporte”, acrescenta.
O debate sobre o tema foi enriquecido pela participação de estudantes de Psicologia da Unama, que contribuíram com reflexões e materiais de conscientização. Um mural com mensagens de acolhimento montado no auditório do hospital, reforça o valor simbólico e emocional da iniciativa.“
Afirma, a aluna Áthla , O luto perinatal ainda é cercado de estigmas. Muitas vezes, as mães ouvem frases que não confortam, como ‘você pode ter outro’. Mas cada vida importa, e todo luto importa”, explica Áthla Bernardo Farias, do 10º período de Psicologia e responsável pela apresentação do grupo.
Para a psicóloga Eliedina Lourenço, o trabalho da equipe de Psicologia do HMI é essencial nesse momento: “Atuamos em todos os setores do hospital, acompanhando desde o acolhimento até a alta. O atendimento psicológico é feito tanto com a mãe quanto com os familiares, e os encaminhamentos são realizados em conjunto com o serviço social. É um trabalho contínuo de escuta e cuidado”, afirma.
O enfermeiro Paulo Ricardo Marques ressalta a importância da capacitação para os profissionais da maternidade. “É fundamental conhecer a nova lei e saber como aplicar na prática. Essa palestra nos ajuda a aprimorar o acolhimento e respeitar o luto familiar, garantindo um atendimento mais humano e sensível”, destaca.
Com a palestra, o HMI reafirma seu compromisso com a humanização do cuidado, especialmente em situações delicadas que exigem preparo técnico e empatia. Em meio à rotina intensa de uma maternidade, o hospital busca lembrar que, mesmo no silêncio de uma perda, ainda há espaço para o acolhimento, o respeito e a esperança. (Erika Marinho- Estagiária, com a Prefeitura de Marabá)


