Uma abordagem, no mínimo, inusitada, terminou na prisão de um homem de 31 anos, suspeito de estuprar uma menina de 11 anos, na madrugada deste sábado (9), em Alter do Chão, distante cerca de 37km da zona urbana de Santarém, oeste do Pará. Horas depois da prisão, o homem foi agredido pela esposa com uma capacetada.
Tudo começou após a guarnição sob o comando do 3° Sargento Hilton, da Polícia Militar ser abordada por Jackson Silva dos Santos, por volta das 03h15, em uma via do Centro de Alter do Chão. Aos policiais, Jackson que estava em uma motocicleta com uma menina de apenas 11 anos na garupa, relatou que a criança teria sido vítima de estupro, que ele sabia quem era o estuprador e já havia acionado a policia. Porém, a polícia não havia recebido nenhum chamado sobre ocorrência de estupro de vulnerável.
Os policiais perceberam que Jackson estava bastante nervoso e alterado. Segundo a polícia, em determinado momento, Jackson se afastou da vitima, que relatou a um dos policiais que a história não era bem como Jackson estava contando.
A menina relatou ao policial que havia saído com Jackson e mantido relações sexuais sem preservativo, sob a promessa de que ganharia um celular.
Segundo a polícia, a menina aparentava ter ingerido bebida alcoólica e ao ser questionada se havia bebido, ela respondeu que estava em uma festa e que havia tomado vodka com coca-cola e cerveja. Depois, teria mantido relações sexuais com Jackson próximo ao Campo da Catraia.
Diante do relato da menina, os policiais deram voz de prisão a Jackson e acionaram o Conselho Tutelar 3, uma vez que a vítima além de ser criança, tinha estado em uma festa desacompanhada de seu responsável legal.
Ainda segundo a polícia, o Conselho Tutelar realizou diligência na tentativa de identificar a mãe da menina, enquanto a guarnição da PM seguiu para UIPP de Alter do Chão, para guardar a motocicleta de Jackson. Porém, a esposa de Jackson identificada como Maria Aparecida de Santana, que já tinha tomado conhecimento da prisão dele, foi até a UIPP, onde apresentou a documentação da motocicleta, que estava em situação regular, assim como a habilitação dela. Como a motocicleta não é objeto de crime, foi entregue à Maria Aparecida.
Na UIPP, Maria Aparecida ficou sabendo do motivo da prisão do esposo Jackson e pediu para conversar com ele sobre um dinheiro que o homem teria apurado, durante a noite, pois tinha saído de casa para fazer corridas de mototáxi na vila.
Os policiais consentiram que Maria Aparecida fosse a viatura conversar com o esposo acompanhada por eles. Mas, inesperadamente, os policiais foram surpreendidos por Maria Aparecida, que em um ato impulsivo, deu uma capacetada na cabeça de Jackson, que mesmo não estando algemado, não teve qualquer reação.
Devido à agressão praticada, Maria Aparecida recebeu voz de prisão. Jackson, por sua vez, foi levada pelos policiais à Unidade Básica de Saúde 24h, de Alter do Chão, para atendimento médico. Jackson foi atendido, mas por conta da gravidade da lesão, ele foi encaminhado para o Hospital Municipal de Santarém, para exames mais específicos, enquanto a criança vítima de estupro foi encaminhada para a Delegacia da Criança e do Adolescente (Deaca), para as providências que o caso requer.
De acordo com a PM, Maria Aparecida foi apresentada na 16ª Seccional Urbana de Santarém, mas o delegado plantonista teria se recusado a receber o caso porquê a vítima da capacetada (Jackson) não estava presente.
Quanto a Jackson, após ele receber alta médica do HMS, foi conduzido pela Polícia Militar à Deaca para os procedimentos cabíveis. (Portal Debate, com g1 Santarém e Região)


