Uma tentativa de fraude milionária e extremamente chocante teve desfecho na Justiça da Bahia. Um homem foi condenado a dois anos de prisão pelo crime de estelionato após amputar o próprio pé para tentar receber R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros. O julgamento ocorreu na comarca de São Gonçalo dos Campos, no interior baiano.
O plano de fraude e a versão do sequestro
O caso aconteceu em agosto de 2019, às margens da BR-101. Segundo a investigação, o homem havia contratado, em um curto intervalo de tempo, quatro apólices de seguro de vida e de acidentes pessoais. Dias depois, ele procurou as seguradoras alegando ter sido vítima de um sequestro. Na versão apresentada pelo servidor público, dois homens armados o teriam abordado, roubado seus pertences e, antes de fugir, amputado seu pé esquerdo com um facão.
Contradições e evidências que desmantelaram a farsa
A história, no entanto, começou a ruir diante das evidências reunidas pela investigação. Em menos de um mês, o homem solicitou indenizações que totalizavam R$ 1,5 milhão, distribuídas entre quatro seguradoras: R$ 800 mil, R$ 400 mil, R$ 200 mil e R$ 100 mil.
Os laudos médicos apontaram que ele não apresentava sinais de espancamento, luta corporal ou qualquer outra lesão compatível com um sequestro violento. A única lesão constatada era justamente a amputação do pé. Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de o homem ter sido encontrado com a própria mochila e os objetos que afirmava terem sido roubados pelos supostos criminosos.
Na decisão, o desembargador Júlio Cezar Lemos também destacou a incompatibilidade financeira da situação. Segundo o magistrado, “não é crível que um servidor público, com salário reduzido, trabalhando como assistente administrativo em uma Universidade Federal, contrate quatro seguros de vida e assistência de acidente pessoal em um curto intervalo de tempo”.
Condenação e desfecho do caso
A defesa tentou recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o Tribunal de Justiça da Bahia rejeitou o pedido, sob o entendimento de que ainda existem medidas processuais que podem ser adotadas na própria Justiça estadual antes do encaminhamento às instâncias superiores.
Apesar da condenação, o homem cumprirá a pena de dois anos de prisão em regime aberto. O caso chamou a atenção pela combinação de automutilação, tentativa de obtenção de uma indenização milionária e pela sequência de contradições que acabou desmantelando o plano antes que qualquer valor fosse pago pelas seguradoras. (Com Diário do Pará)


