HMM adota método ‘Fast Track’ para agilizar atendimento e reduzir filas no Pronto-Socorro

O novo sistema foca no atendimento ágil a pacientes classificados nas cores azul e verde (casos não urgentes) pelo Protocolo de Manchester

Com o objetivo de otimizar o fluxo de pacientes e garantir prioridade aos casos graves, o Hospital Municipal de Marabá (HMM) iniciou, nesta semana, a implementação da estratégia Fast Track. Baseada na metodologia Lean, a iniciativa cria um “caminho rápido” para pacientes de baixa complexidade, reduzindo drasticamente o tempo de espera e a permanência desnecessária na unidade.

O novo sistema foca no atendimento ágil a pacientes classificados nas cores azul e verde (casos não urgentes) pelo Protocolo de Manchester. Ao serem triados, esses pacientes passam a contar com um fluxo específico que evita o encaminhamento desnecessário nas alas de internação ou de observação do hospital.

De acordo com a diretora administrativa do HMM, Maurícia Macedo, a mudança visa combater uma cultura local de buscar o hospital para demandas que deveriam ser resolvidas nos postos de saúde.

“Iniciamos com as fichas azuis, que não vão mais adentrar o hospital. Teremos um médico na triagem que vai receber esse paciente, verificar a demanda e direcioná-lo. Se precisar de uma medicação via oral, o médico prescreve e ele busca na Unidade Básica de Saúde (UBS)”, explica a diretora.

A metodologia permite que a equipe médica e de enfermagem concentre esforços nos casos amarelos e vermelhos, onde há risco de vida ou necessidade de monitoramento contínuo. Atualmente, o Pronto-Socorro sofre com a sobrecarga de pacientes que buscam o HMM para fins administrativos, como a obtenção de atestados, prática que o novo fluxo pretende inibir.

“Lembrando que ficha azul não dá direito a atestado. O que pode ser fornecido é uma declaração de comparecimento. Muitas pessoas procuram o hospital para pegar atestado, principalmente na segunda-feira. O uso da declaração é para inibir essa prática que se tornou cultural”, pontua Maurícia.

A nova estratégia também estabelece critérios mais rígidos para a recepção de pacientes vindos de outros municípios e pelo SAMU. A partir de agora, ambulâncias de cidades vizinhas só poderão liberar o paciente após avaliação do médico da sala de estabilização, que está sendo montada dentro da sala vermelha. Caso o quadro clínico não corresponda à regulação ou não seja perfil de urgência ou emergência, o paciente será contra-referenciado imediatamente para seu município ou para o hospital regional.

O objetivo final é garantir que o leito e a maca do hospital estejam disponíveis para quem realmente precisa de intervenção hospitalar. “Fica inviável para os profissionais e para os pacientes a superlotação. Muitas vezes nossos vizinhos estão com leitos vazios e os pacientes estão aqui, segurando leito e maca, sendo que precisam de procedimentos que o hospital municipal não realiza, como um cateterismo. Isso atrapalha a assistência de qualidade”, destaca a administradora.

Capacitação da Rede

Para garantir que o Fast Track funcione plenamente, a Prefeitura de Marabá também investirá na qualificação das equipes da ponta da rede de saúde. No próximo mês, profissionais das Unidades Básicas de Saúde participarão de um treinamento em Urgência e Emergência, conduzido por residentes multiprofissionais do HMM. A capacitação tem como objetivo preparar a Atenção Básica para absorver, os casos leves com segurança, consolidando a rede de saúde do município de forma integrada e eficiente.

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