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Helder mente sobre reforma e irrita comunidade escolar em Marabá

Material antigo está sendo lavado, escovado e reaproveitado na reforma do prédio
Telhas estão sendo lavadas com escova e sabão - Crédito: WhatsApp
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O governador Helder Barbalho (MDB), acompanhado de políticos locais, asseclas e “puxa-sacos”, com todas as pompas e circunstâncias, estiveram no Bairro Marabá Pioneira, no dia 14/5/2021,  para assinar a tão esperada ordem de serviço, autorizando a reforma do prédio da Escola Estadual de Ensino Médio Integral Plínio Pinheiro, em Marabá, no sudeste do Pará.

A propaganda anunciando a vinda do governador, uma matéria na Agência Pará (site oficial que divulga as ações do governo do Pará), a cerimônia de assinatura da ordem de serviço e a placa da obra estamparam, em letras garrafais, a “reforma” ou “reforma e construção” da Escola Plínio Pinheiro, porém, para tristeza da comunidade escolar, Helder Barbalho decidiu pintar o “cavalo” com listras pretas e brancas para ser entregue como “zebra”.

O início da tão propagada “reforma” foi muito rápido. Fato que chamou bastante atenção da comunidade escolar já cansada de ser enrolada. Como “gato escaldado tem medo de água fria”, professores, alunos, pais e servidores criaram uma “comissão independente” para fiscalizar a execução da obra, mas tiveram uma decepção muito grande, ao descobrir que a reforma cantada em prosa e verso não passava de uma “manutenção perereca”, com reaproveitamento de material.

Desconfiados, os integrantes da comissão independente fizeram uma reunião virtual com a arquiteta Bárbara Florêncio da Silva, responsável pela aplicação dos recursos destinados a adequação de escolas de tempo integral, da Secretaria Executiva de Educação (Seduc), ligada a Diretoria de Recursos Técnicos e Imobiliários – DRTI, muito tensa, no dia 27/5/2021, para conhecer o projeto, contrato e planilhas, mas a servidora pública deixou bem claro que a Escola Plínio Pinheiro não estava passando por uma reforma, como fora anunciado, mas por um processo de manutenção, irritando sobremaneira os participantes.

Durante a reunião, a comissão independente solicitou que o prédio passasse por uma adequação na estrutura física para receber uma sala multifuncional; ampliação da cozinha, furar um poço artesiano; trocar a rede elétrica; trocar as centrais de ar; mudar de local a quadra poliesportiva; construir vestiários e refeitório, verticalizar um pavilhão e construir outros espaços próprios de uma escola de tempo integral, todavia a arquiteta afirmou que as adequações solicitadas não poderiam ser construídas nem deu esperanças.

Governador anunciou a reforma da escola – Crédito: Reprodução

“Muito barulho por nada”

Ao ficar ciente de que o prédio estaria passando por uma simples manutenção, a comunidade escolar ficou “tiririca”, está ameaçando ocupar as instalações e parar a obra se a situação não for resolvida. “Quem está mentindo? O governador Helder Barbalho, a Agência Pará, a placa da obra ou a arquiteta Bárbara?”, indagou uma aluna indignada. “Se a escola é de tempo integral como vão reformar um prédio de ensino médio regular?”, emendou outro aluno que não tiveram os nomes divulgados por serem menores de idade.

Bárbara deixou claro que nem projeto existe para a obra. A servidora pública ainda não enviou a cópia do contrato nem as planilhas para a comunidade acompanhar a execução dos serviços previstos no contrato de R$ 1.648.976,64. Corre “à boca pequena” que apenas um banheiro será revitalizado, a troca da instalação elétrica não constaria do contrato e muito menos a colocação de centrais de ar novas. A substituição dos quadros de sala de aula não seria efetuada, as velhas portas quebradas e carcomidas seriam recolocadas após uma pintura mequetrefe nas paredes para maquiar a reforma.

Furar poço artesiano para os estudantes consumirem água potável, nem pensar. A Seduc insiste que os alunos deverão beber a água contaminada da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), como se o líquido fosse próprio para o consumo humano em Marabá. Para deixar a comunidade escolar mais irritada, os técnicos e engenheiros da Secretaria de Educação se comprometeram a retornar, durante a semana em curso, porém nesta quarta-feira (2), eles alegaram falta de passagem para Marabá.

A vinda de representantes da Secretaria de Educação a Marabá está sendo vista como uma enrolação para a empresa ganhar tempo e terminar a manutenção do prédio. Como diz o provérbio popular: “vieram passar manteiga na venta de gato”, pois assim que o “cavalo pintado de zebra” ficar pronto, Helder retornará a Marabá para entregá-lo como se fosse a reforma de uma escola de tempo integral com todas as pompas, circunstâncias e “puxa-sacos” coladinhos nele. Afinal, as eleições de 2022, estão bem próximas.

Durante a manhã de ontem (2), um integrante da comissão independente fotografou diversos materiais antigos sendo reaproveitados na obra. As telhas estavam sendo lavadas com escova e sabão para ficarem novinhas em folha. Uma vergonha. Se a licitação contemplou a troca das telhas, está rolando um “bom para otário”, o famoso “BO”, na cara da comunidade escolar.

Vale lembrar que a Escola Plínio Pinheiro está localizada na Avenida Antônio Maia, no centro da área comercial do Núcleo Velha Marabá. Os alunos começam a chegar à unidade de ensino às 7h, tomam café e seguem para o local de estudo. Ao meio dia, os estudantes utilizam as salas de aula como local para consumir as refeições porque não existe refeitório. Para descansar, eles se deitam no chão da própria sala, em cima de bancos, mesas e carteiras, pois não existe sala de repouso, vestiário nem local para tomar banho. Às 17h, o dia letivo se encerra e os alunos retornam para casa, após passarem um dia desgastante na chamada escola de tempo integral em Marabá.

O prédio começou a cair no ano de 2016 e, de lá para cá, nada tinha sido feito para resolver o problema. Durante esses anos, o colégio de ensino médio regular migrou para escola de ensino integral, mesmo caindo aos pedaços e, quando a sonhada reforma e adequação chegaram, percebeu-se que elas não irão passar da conhecida “meia sola” para enganar os bestas. Com a palavra o governo do estado do Pará, pois apenas retelhar o prédio e pintá-lo nunca foi uma reforma. (Pedro Souza/Debate Carajás)

Placa da obra confirma o anúncio da reforma – Crédito: WhatsApp

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