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Grávida, torturada e ameaçada de morte já se encontra em abrigo de Marabá

Joseane encontra-se em um abrigo em Marabá- Crédito: Arquivo da família.
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Uma verdadeira “força tarefa” conseguiu resgatar, ontem (26), por volta de 20 horas, Joseane Paixão, 33 anos, de um esconderijo na cidade de São João do Araguaia, no sudeste do Pará, após ela ser espancada e ameaçada de morte pelo ‘companheiro’ Carlos Antônio Siqueira Silva, 42 anos, vulgo “Bimba”. Ela está grávida e possui duas filhas adolescentes de outro relacionamento.

A matéria “Torturada, espancada, grávida e ameaçada de morte, esposa não consegue registrar boletim de ocorrência no sudeste do Pará” publicada pelo Portal Debate Carajás, ontem (26), às 16h36, mostrou um pouco de um relacionamento abusivo, agressivo e torturador por parte de “Bimba”. De acordo com testemunhas, mesmo gestante, Joseane era agredida e ameaçada de morte quase todos os dias.

Depois de ser resgatada por uma equipe da Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher (DEAM) de Marabá, a vítima passou por atendimento médico, registrou um boletim de ocorrência, ainda em São João do Araguaia, e se encontra amparada em um abrigo. No entanto, devido as agressões e ameaças, Joseane necessita de atendimento especializado e apoio em sua estadia aqui em Marabá.

Durante a manhã de hoje (27), é um dia adequado para a gestante receber a visita de uma equipe multidisciplinar da  Secretaria de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários (Seaspac); Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM), Hospital Municipal (HMM) e Delegacia Especializada no Atendimento a Mulher (DEAM) de Marabá, pois a violência contra a mulher ocorre também nos finais de semana e feriados.

Caso esse apoio institucional não se efetive, com urgência, dependente da violência financeira, Joseane Paixão vai se sentir desamparada, tenderá a retornar para casa e correrá um sério risco de ser morta pelo ‘marido’, como acontece em milhares de casos Brasil afora, pois dezenas de ameaças vindas dele e de familiares do agressor circulam nas redes sociais de São João do Araguaia.

Dois anos de agressões e torturas

A Redação do Portal Debate Carajás já tinha conhecimento do caso e buscava provas para publicar a matéria, há seis meses, porém mesmo ameaçada, agredida e torturada, a vítima sempre se negava a fazer a denúncia, mas ontem (26), após ser espancada de novo por “Bimba”, ela criou coragem e contou com a ajuda de familiares, vizinhos e amigos para relatar os dois anos de tormento vividos ao lado de uma cara ciumento, cachaceiro e ameaçador.

Segundo parentes, Joseane Paixão apanhava constantemente e chegou a passar fome. Narrações horripilantes dão conta de que ela já esteve sob a mira de uma espingarda, já apanhou de facão, teve uma faca encostada em sua garganta, apanhou dezenas de vezes ‘de pau’ e ‘cabo de vassoura’, sem contar as diversas sessões de tortura física e psicológica. O enredo é estarrecedor e digno de um tratamento a altura dos fatos. O casal viveu junto durante dois anos.

Ameaças

Vários áudios atribuídos a parentes de “Bimba” circulam nas redes sociais com ameaças e intimidações direcionadas e Joseane Paixão e familiares. Pessoas próximas à família acusam um irmão de Carlos Antônio, conhecido como “Cabeludo”, de se dirigir à residência de tias e irmãs da vítima e proferir as ameaças. Essa atitude demonstra uma clara tentativa de intimidação de testemunhas e pode dar cadeia para o suspeito.

Vitima teve pai e mãe assassinados.

Mãe e pai assassinados

A família de Joseane Paixão já passou por duas tragédias. A mãe, Rita Paixão, 54 anos, foi estuprada e brutalmente assassinada a facadas pelo companheiro, Davi dos Anjos, vulgo “Neto”, em fevereiro de 2002, na Ilha do Boi, no Rio Tocantins, próximo a São João do Araguaia, na frente de duas filhas pequenas.

Segundo as filhas, a vítima ainda foi abusada por outros homens antes de ser morta. Assim como Joseane, Rita também apanhava constantemente do companheiro psicopata. O assassino nunca foi preso e já possuía outros crimes nas costas. O pai de Joseane, José Ferreira Lima, já separado da mãe, foi morto, em 1995, a golpes de faca, após tentar separar uma briga em outra ilha no Rio Tocantins durante uma festa. De acordo com familiares, o homicida nunca foi preso.

Repercussão e “Força tarefa”

Assim que a matéria foi publicada, o ativista dos Direitos Humanos, Noé Lima, repassou o link para diversas autoridades do estado do Pará, cobrando uma ação rápida e eficiente para resgatar Joseane. Após ler a reportagem, de imediato, o delegado Alberto Teixeira, titular da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), entrou em contato com promotores, Polícia Civil, Polícia Militar, ParaPaz e outros órgãos públicos. A ativista dos direitos da mulher, Cristiane Gomes, ajudou bastante na interlocução e convencimento das vítimas para fazer a denúncia.

Mesmo de férias, o delegado Vinícius Cardoso esteve a frente do caso. A equipe de resgate da Deam de Marabá foi articulada pelo delegado Jailson Lucena, responsável pela jurisdição de São João do Araguaia. Ele é o delegado encarregado do caso e deverá desencadear uma séria de ações de investigação a partir de amanhã (28). Antes da chegada da equipe da Polícia Civil, policiais militares do destacamento da cidade estiveram na casa de uma irmã de Joseane para prestar apoio.

A Redação do Portal Debate Carajás conseguiu contato com pessoas próximas a Joseane Paixão, hoje (27), por volta de 8h30. Ela está se sentindo bem mais aliviada e acompanhada por uma equipe multidisciplinar do abrigo de Marabá.

Um caso monstruoso como esse exige um cuidado especial das autoridades do Pará. Como diz o ditado popular: “O antes, o durante e o depois”, na prática, precisa acontecer para impedir mais uma vítima de feminicídio no Pará. O suspeito retirou todas as fotos dele das redes sociais, já tentando se esquivar dos problemas que virão pela frente.

“Bimba” deve enfrentar a Lei Maria da Penha – Crédito: Redes sociais

Fonte: Portal Debate Carajás

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