Golpe da “picanha fake” é aplicado por vários donos de “espetarias” de Marabá

Calote está sendo praticado por alguns comerciantes espertalhões em todos os núcleos da cidade. O cliente que não conhece a carne termina pagando “gato por lebre”.

MARABÁ (PA) – O mercado de venda do chamado “espeto completo” caiu no gosto da população de Marabá, no sudeste do Pará. Entretanto, denúncias recebidas pelo Portal Debate apontam que algumas “espetarias” estariam enganando clientes ao vender outros cortes de carne bovina como se fossem picanha.

Não estamos falando do famoso “churrasquinho de gato”. Nesse segmento, geralmente são utilizados cortes de carne mais baratos como “acém”, “paleta” e “fraldinha” entre outros, ou seja, o consumidor já sabe o produto que vai consumir. O problema denunciado estaria ocorrendo principalmente em estabelecimentos mais sofisticados, frequentados por famílias de classe média e alta da cidade de Marabá.

Segundo os denunciantes, o cliente pede e paga por picanha, mas recebe cortes como “coxão duro”, “miolo da alcatra”, “baby beef” e “tampa da paleta”, preparados e apresentados como se fossem picanha. O comerciante faz uma espécie de “maquiagem fajuta” na carne para enganar os clientes que terminam pagando a “picanha fake” sem saber.

As denúncias recebidas pelo Portal Debate citam “espetarias” localizadas nos núcleos Cidade Nova, Marabá Pioneira, Nova Marabá, São Félix e Morada Nova. Os estabelecimentos não serão identificados porque ainda não houve fiscalização e comprovação oficial das irregularidades, mas o crime se alastrou por toda Marabá e precisa ser coibido.

Em um dos casos relatados, o mesmo cliente pediu um “espeto completo” de picanha três vezes na mesma “espetaria” localizada no Bairro Novo Horizonte e afirma ter recebido outro tipo de carne nas três ocasiões. De acordo com este denunciante, ao ser descoberto o golpe, geralmente a casa faz troca do espeto ou retira a despesa da comanda para não haver tumulto nem “escândalo” no restaurante.

Espeto de “picanha verdadeira” – Foto: Reprodução

Se comprovada, a substituição deliberada de um produto por outro mais barato, sem conhecimento do cliente, pode configurar infração às normas de defesa do consumidor. A eventual existência de crime dependerá da investigação e das circunstâncias de cada caso, mas a “casa anda perto de cair”, pois o que menos se come nestas “espetarias” golpistas é a picanha.

Diante desta situação vergonhosa, está passando da hora de uma fiscalização rigorosa dos órgãos competentes para verificar as denúncias. A Divisão de Vigilância Sanitária de Marabá (Divisa) poderá atuar dentro de suas atribuições, enquanto eventuais práticas comerciais enganosas também devem ser levadas aos órgãos de defesa do consumidor e, havendo indícios de crime, às autoridades policiais.

O consumidor que desconfiar ter comprado “picanha” e recebido outro corte deverá guardar nota fiscal ou comprovante de pagamento, fotografar o produto e o cardápio e formalizar a denúncia. Sem fiscalização e denúncias documentadas, comerciantes desonestos podem continuar lucrando às custas de quem paga caro esperando receber aquilo que realmente pediu. Vale ressaltar que não são todos os donos de espetaria que andam lucrando com este tipo de estelionato, apenas alguns que se acham um “malandro velho de rodoviária”.

Essa prática criminosa vem ocorrendo com muita frequência em Marabá, logo o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) deveriam ajudar a combater os vendedores de espertos adulterados em Marabá. Estamos de olho, porque este tipo de crime costuma afastar o turista da Terra de Francisco Coelho.  (Portal Debate)

Espeto de “picanha falsa” – Foto: Reprodução

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