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Fora da agenda, Bolsonaro recebe neta de ministro de Hitler

Beatrix von Storch é líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD); avô foi ministro de Hitler por 12 anos. Deputada foi recebida no Palácio do Planalto na última semana
Publicação da deputada de extrema-direita Beatrix von Storch com o presidente Jair Bolsonaro — Foto: Instagram/Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se encontrou, fora da agenda oficial, com a deputada alemã Beatrix von Storch, uma das lideranças do partido de extrema direita Alternativa para Alemanha (AfD) e neta de um ex-ministro das Finanças da Alemanha durante o regime nazista de Adolf Hitler.

O encontro ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, na última semana – quando a parlamentar também se encontrou com deputados bolsonaristas. Como não foi incluída na agenda, a reunião só se tornou pública quando Beatrix von Storch divulgou fotos com Bolsonaro nesta segunda (26).

Na postagem, a deputada agradeceu a recepção de Bolsonaro e se disse impressionada com a compreensão do presidente sobre problemas da Europa e os desafios políticos atuais. Von Storch defendeu a união dos conservadores para combater a ideologia dos grupos de esquerda.

Procurado, o Palácio do Planalto não informou a pauta da reunião e o motivo de o compromisso não ter sido registrado na agenda de Bolsonaro.

Criado em 2013, o AfD surgiu na Câmara dos Deputados em 2017 e é a principal força da oposição aos conservadores liderados pela chanceler Angela Merkel e os social-democratas no poder. O AfD foi colocado, em março deste ano, em vigilância policial por serviços de inteligência interna da Alemanha. O partido é contra a política migratória de Merkel.

Em 2018, Von Storch protagonizou uma polêmica com a polícia de Colônia, na Alemanha, após a corporação publicar mensagem em redes sociais com alertas em alemão e árabe. A parlamentar questionou o uso da língua – as postagens dela foram deletadas pelo Twitter e pelo Facebook.

“Que diabos se passa neste país? Por que a polícia publica agora mensagens oficiais em árabe?”, disse Von Storch. “Agora se dirige às hordas de homens bárbaros, muçulmanos e estupradores para tentar adulá-los?”, questionou.

A visita ao Brasil

Na visita ao Brasil, a deputada de extrema-direita também foi recebida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes. A parlamentar alemã ainda teve reuniões com os deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e Bia Kicis (PSL-DF), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) e o Museu do Holocausto criticaram na semana passada os encontros de Von Storch com Eduardo Bolsonaro e Bia Kicis.

A Conib lamentou a recepção a representante da AfD, pois “trata-se de partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto”.

O Brasil é um país diverso, pluralista, que tem tradição de acolhimento a imigrantes. A Conib defende e busca representar a tolerância, a diversidade e a pluralidade que definem a nossa comunidade, valores estranhos a esse partido xenófobo e extremista”, disse a confederação em nota.

O Museu do Holocausto, ao comentar uma publicação de Bia Kicis nas redes sociais, citou que Von Storch é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro nazista das Finanças, e afirmou que a AfD apresenta “tendências racistas, sexistas, islamofóbicas, antissemitas, xenófobas e forte discurso anti-imigração”.

“É evidente a preocupação e a inquietude que esta aproximação entre tal figura parlamentar brasileira e Beatrix von Storch representam para os esforços de construção de uma memória coletiva do Holocausto no Brasil e para nossa própria democracia”, publicou o Museu do Holocausto.

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