O ex-motorista do deputado estadual e senador
eleito Flávio
Bolsonaro (PSL)
, Fabrício José Carlos Queiroz, faltou pela segunda
vez a um depoimento marcado na sede do Ministério Público Estadual do Rio (MP-RJ). A
oitiva estava programada para a tarde desta sexta-feira (21).
O
depoimento dele estava previsto para quarta-feira (19),
 mas,
segundo os advogados, Fabrício teve uma “inesperada crise de saúde”. Segundo a
defesa do ex-assessor, não houve tempo hábil para analisar os autos da
investigação. Eles solicitaram cópias dos documentos.
Nesta sexta, segundo o MP, o advogado do
investigado compareceu à sede do MPRJ, às 14h, para informar que seu cliente
“precisou ser internado na data de hoje, para realização de um procedimento
invasivo com anestesia, o que será devidamente comprovado, posteriormente,
através dos respectivos laudos médicos”. A defesa se comprometeu a apresentar
os referidos laudos até o dia 28.
O MPRJ afirmou ainda que dando
prosseguimento às investigações será enviado oficio ao presidente da Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) sugerindo o comparecimento do
deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, no dia 10, para que preste
esclarecimentos acerca dos fatos.
Flávio Bolsonaro vinha dizendo que não
tinha o que comentar sobre o assunto e que quem deveria responder é seu
ex-motorista. 
Outras diligências, segundo o MP, serão
realizadas, incluindo a oitiva dos familiares do investigado Fabrício Queiroz,
no dia 8, e dos assessores da ALERJ, em data a ser designada.
“Por fim, o MPRJ esclarece que
alguns parlamentares citados no relatório do COAF procuraram, voluntariamente,
a instituição para manifestar interesse em apresentar seus
esclarecimentos”, acrescentou o órgão. 
O nome de Fabrício Queiroz aparece em relatório
do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) anexado à investigação
que resultou na 
Operação Furna da Onça, um
desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.
Segundo as informações do documento, o
ex-motorista movimentou R$ 1,2 milhão em uma conta bancária durante um ano. Na
época, o então assessor, que também é policial militar, recebia salário de R$
23 mil por mês. As transações foram consideradas atípicas e por isso aparecem
no relatório. 
Queiroz recebia da Assembleia
Legislativa um salário de R$ 8.517 e acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6
mil da Polícia Militar. Ele foi exonerado do gabinete de Flávio na Alerj em
outubro.
O documento também aponta que Queiroz
repassou R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama. Sobre este
pagamento, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que era a
quitação de um empréstimo de R$ 40 mil feito por ele ao ex-motorista.
O ex-assessor foi exonerado do gabinete
de Flávio Bolsonaro em outubro e ganhava R$ 23 mil por mês. Ele era motorista
de Flávio Bolsonaro e também tinha vínculo com a Polícia Militar.
O deputado Flávio Bolsonaro, que se
elegeu senador este ano e não é investigado, afirma que não fez “nada de
errado” e que espera que o caso seja esclarecido.
Fonte:
globo.com