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Faculdade aciona polícia para coagir alunos em Marabá

Instituição privada de ensino superior acionou a polícia do governo estadual na tentativa de conter protesto | Foto: Reprodução/Redes Sociais
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Acadêmicos do curso de Bacharelado em Direito da Faculdade Carajás, cuja propriedade é da família do governador Helder Barbalho, acionaram o Portal Debate Carajás para relatar uma situação um tanto inconveniente. Eles convocaram protesto ordeiro e pacífico para as 18h desta sexta-feira (26), inclusive solicitando uso de máscara aos presentes, a fim de questionarem o modelo de ensino adotado pela instituição privada no retorno às aulas, mas o que receberam foram duas viaturas do Grupamento Tático Operacional (GTO) da Polícia Militar. Uma tentativa, segundo eles, de coação, que aparentemente não funcionou.

Ao enredo. De acordo com os discentes, desde que as aulas passaram a ser na modalidade remota, em virtude das restrições impostas pela pandemia da covid-19, a Faculdade Carajás não disponibilizou metodologias e ferramentas eficazes para que os discentes do curso de Direito tivessem acesso a uma aula de qualidade.

Ocorrências que geraram enormes prejuízos aos alunos se perpetuaram no decorrer do último ano, como falta de acesso a uma plataforma específica para a transmissão das aulas online, sendo que em quase todas as aulas os alunos tiveram problemas com sinal, ruídos e travamentos.

Além disso, os acadêmicos alegam que os professores enfrentaram sérios problemas para lecionarem o conteúdo, sem qualquer assistência da instituição, que cobra caro na mensalidade. Os professores utilizavam os próprios equipamentos – computadores, notebooks e celulares – para a transmissão das aulas. Não faltavam problemas e reclamações.

Protesto acontece no exato momento da publicação desta matéria. Acadêmicos exibem cartazes e gritam palavras de ordem

O problema

Para falar do presente, os alunos passam a argumentar sobre uma medida recém-tomada pela instituição de ensino superior para retornar às aulas em 2021. A faculdade, conforme os interessados, teria adiado o início do semestre com a informação de que precisava de tempo suficiente para ajustes de um novo método de ensino, que até então era desconhecido por todos.

Ocorre que, na última semana, foi realizada uma reunião com os representantes de turma de modo a repassar justamente a nova modalidade de ensino. E, para indignação de todos, seria mesmo o temido digital adotado em 2020, ápice da pandemia. Os representantes, que se conste, receberam a informação faltando apenas uma semana para o início das aulas e não puderam escolher o modelo de ensino. A Faculdade Carajás, em síntese, impôs a defasada modalidade de ensino digital aos alunos, que pagam caro na mensalidade.

Nesta esteira, os discentes também apresentam queixas quanto à mensalidade cobrada pela faculdade no manifesto. Eles reclamam que, apesar das aulas se tornarem 100% online, não houve reduções na mensalidade do curso de Direito. Por outro lado, houve economias de gastos para a instituição em relação a todo o custo interno de energia, considerando a quantidade de turmas e salas da faculdade, corte no quadro de professores em disciplinas como Direito do Trabalho e Direito Previdenciário e diminuição da carga horária dos remanescentes.

Diante disso, para os acadêmicos, não se justifica que a mensalidade continue a mesma para os alunos, muito menos que a instituição alegue corte de gastos em hora-aula e demissão de professores para inserir a nova modalidade de ensino, o que torna claro todo o excessivo encargo financeiro e educacional por parte apenas dos discentes da instituição.

Para acirrar ainda mais os ânimos dos estudantes, os executivos da instituição acionaram o Tático mais cedo, antes do início do protesto

A solução

Para todos esses problemas, porém, os alunos apresentam soluções viáveis, que podem ser discutidas de maneira urbana, sem a necessidade de presença de efetivo policial. O primeiro pleito é a realização de aulas híbridas (presencial e virtual) ou que as aulas retornem unicamente na modalidade online, sem uso da plataforma AVA, para que os acadêmicos tenham acesso ao conteúdo ministrado diretamente pelos docentes, apenas durante os meses de restrições sociais, devendo depois retornar a 100% na modalidade presencial.

Caso a faculdade mantenha mesmo a modalidade online, sem a possibilidade de aulas híbridas, os alunos pedem que haja desconto proporcional. Mas caso o uso da plataforma AVA seja mantido, os acadêmicos requerem proporcionalidade na diminuição das mensalidades em no mínimo 20%, visto que a faculdade diminuiu seus custos com limpeza, energia, recursos humanos e até professores). Em contrapartida, os alunos aumentaram gastos com energia, equipamentos eletrônicos e internet, a fim de se adequarem às aulas virtuais.

Os alunos também pleiteiam a viabilização de tutores capacitados para sanar dúvidas dos alunos em horários diversos ao da aula ordinária, além da disponibilização do material didático no sistema AVA com antecedência mínima de 24 horas, sendo oferecido o acesso a todos os professores, para que estes insiram os materiais didáticos. Os acadêmicos também postulam a melhoria na qualidade dos equipamentos dos professores que ministram aulas virtualmente.

Um requerimento administrativo datado desta sexta chegou à Diretoria Acadêmica da instituição no fim da tarde. O documento lista todas as reivindicações dos alunos e, ao fim, reforça o “interesse de somar na construção de um ensino e aprendizagem que gere retorno justo para ambas as partes contratuais, o que, conforme o exposto, não tem ocorrido. Nesse momento, estamos também reafirmando o nosso dever enquanto discentes de cumprir com aquilo que nos cabe dentro da limitação de cada um”.

O outro lado

Procurado por repórter do Portal, o coordenador do curso de Direito, Antônio Henrique, não retornou. A Reportagem aguarda a versão da faculdade e, tão logo isso ocorra, atualizará esta matéria para o restabelecimento da verdade. (Vinícius Soares/Debate Carajás)

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