Exército Brasileiro incorpora primeira turma feminina em Belém

A solenidade integrou o processo de incorporação militar de 2026 conduzido pelo Comando Militar do Norte (CMN).

O Exército Brasileiro realizou nesta segunda-feira (9), em Belém, a solenidade de formatura da primeira turma feminina de soldados incorporadas ao efetivo militar na Amazônia Oriental. A cerimônia ocorreu no 2º Batalhão de Infantaria de Selva (2º BIS) e reuniu autoridades civis e militares, familiares e convidados em um momento considerado histórico para as Forças Armadas na região Norte.

A solenidade integrou o processo de incorporação militar de 2026 conduzido pelo Comando Militar do Norte (CMN). Ao todo, 785 novos militares passaram a integrar a Guarnição de Belém neste ciclo, sendo 730 homens e, de forma inédita, 55 mulheres que compõem a primeira turma feminina de soldados do efetivo inicial na Amazônia Oriental.

Em todo o país, 1.467 mulheres foram incorporadas ao serviço militar em 13 estados e no Distrito Federal, distribuídas em 51 municípios. No Pará, neste primeiro momento, apenas Belém foi contemplada com vagas para o público feminino.

Segundo o comandante militar do Norte, general de Exército José Ricardo Vendramin Nunes, a cerimônia representa um marco histórico para o Exército Brasileiro, especialmente para a região Norte.

“Hoje é um marco histórico para o Exército Brasileiro, especialmente para nós aqui do Comando Militar do Norte. Incorporamos mais de mil jovens em toda a região do Pará, Maranhão e Amapá. Desses, aqui na guarnição de Belém, mais de 55 são meninas, mulheres, que pela primeira vez na história do Exército passam a integrar o efetivo. Então é histórico, é a primeira vez”, afirmou.

O general também destacou que a instituição precisou adaptar sua estrutura para receber o novo efetivo feminino. “Nós modificamos a nossa infraestrutura, melhoramos alojamentos e banheiros, deixando todas as condições mais dignas para recebê-las. Também montamos uma equipe de instrução com mulheres, bem preparada e capacitada para orientá-las. Aqui não fazemos diferenciação entre homens e mulheres. Todos são submetidos ao mesmo treinamento e tenho certeza de que vão se sair muito bem”, disse.

De acordo com o comandante, as novas militares devem atuar em diferentes áreas dentro das organizações militares da capital paraense. “Elas vão trabalhar no Colégio Militar de Belém, onde acreditamos que muitas têm aptidão para o ensino, no Hospital Geral de Belém, por conta da área da saúde, e também na Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Norte. A maior parte delas vai atuar na área administrativa dos quartéis da guarnição de Belém”, explicou.

A cerimônia de formatura seguiu o protocolo tradicional das solenidades militares. A programação teve início com a formação da tropa no pátio do quartel, seguida pela chegada da autoridade que presidiu o evento e pela execução do Hino Nacional. O pátio ficou lotado com a presença de familiares e convidados que acompanharam a solenidade, que foi encerrada com o desfile da tropa em continência.

Entre as novas militares está a soldado Brenda Letícia Borges, de 18 anos, que destacou a emoção de participar de um momento considerado histórico para a instituição.

“Eu estou muito feliz por estar aqui hoje, porque é um marco histórico. É a primeira vez que o Exército abre vagas para mulheres, já que sempre foi um efetivo masculino. Eu acho que é uma grande honra. Nós estamos aqui representando metade da sociedade brasileira como mulheres. Sempre foi um sonho. Eu sempre fui uma pessoa muito atlética e resolvi tentar, ver no que ia dar. Hoje estou aqui me formando”, disse.

Outra integrante da turma é a soldado Amanda Kawani, de 18 anos. Para ela, vestir a farda do Exército representa a realização de um sonho de infância.“Esse momento é muito importante para a minha vida. Desde pequena eu tinha esse sonho. Meu pai já foi militar, meu irmão também, e agora eu me tornei uma militar. É um grande sonho que estou realizando”, relatou.

O processo de ingresso das jovens ocorreu por meio do alistamento militar voluntário, aberto pelo Exército para mulheres em diversas regiões do país. Diferentemente do que ocorre com os homens, cujo alistamento é obrigatório ao completar 18 anos, a participação feminina no serviço militar inicial ocorre de forma voluntária. As candidatas passam por etapas de seleção que incluem análise de documentação, avaliações físicas e exames médicos antes da incorporação às organizações militares.

Além de representar a realização de um objetivo pessoal para muitas das jovens formadas, a incorporação feminina também simboliza um avanço na ampliação da participação das mulheres nas Forças Armadas. A expectativa da instituição é que, nos próximos anos, a presença feminina continue crescendo em diferentes regiões do país. (Com Diário do Pará)

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