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EXCLUSIVO: Em entrevista, advogado começa ‘expor as vísceras’ da prefeitura de Parauapebas

Alípio trabalha, há anos, na prefeitura de Parauapebas e conhece as entranhas do poder.
Advogado e professor Alípio Mário - Crédito: Arquivo pessoal
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Alípio é o corresponde do “periódico” na Cidade do Aço e iniciou o trabalho de acompanhamento das ações, omissões, erros, acertos e falcatruas na Prefeitura de Parauapebas, no sudeste do Pará, pois o advogado conhece como ninguém os corredores da política da cidade mais rica do Pará. Leia:

Debate Carajás: Alípio, Doutor Alípio ou Professor Alípio?

Alípio: Não sou doutor (risos). Ainda estou tentando concluir um mestrado. Depois, tentarei um doutorado e minha vida seguirá seu curso normal. Você poderá me chamar de Alípio ou Professor Alípio.

Debate Carajás: Fale-nos um pouco de você.

Alípio: Tenho 62 anos. Cheguei a Parauapebas, em julho de 1988, a convite da Vale para assumir a Pousada Carajás. Lá fiquei até 1994. Eu já era professor, formei-me em Letras pela melhor faculdade do Brasil, na época, a FALE/UFMG, em Belo Horizonte. Em 2000, prestei concurso para professor de Português no Estado do Pará e fui aprovado. Não parei mais. Virei colunista do jornal CORREIO DO PARÁ e, depois, dos sites de notícias desta cidade. Trabalhei por 20 anos na escola Eduardo Angelim. Morei dois anos em Marabá, lecionei na Escola Anízio Teixeira e Paulo Freire. Depois, morei um ano em Brasil Novo, mas voltei para Parauapebas.

Debate Carajás: Participou da política parauapebense?

Alípio: Fui candidato a vereador pelo PFL em 1992. Tive 78 votos. Era voto pra caramba na época. Fiquei na quarta suplência. Apoiei o Chico das Cortinas. Uma decepção. Depois disto, fiz novos amigos como Raimundo Neto, Itamar, Gomes, Antônio Neto, Darci, Euzébio, Marden, Eudes, Odilza, Francisca Ciza, dentre inúmeros outros ícones da política local. Em 2000, conheci o atual prefeito Darci Lermen. Eu o contratei para trabalhar na escola Fênix como professor, mesmo com a rejeição do dono, o Odilon. “Ali, ficamos amigos!” Em 2002, trabalhei muito na campanha dele para deputado estadual. Quando o Darci foi lançado candidato pelo PT, em 2004, pois o professor Luiz Vieira havia desistido, fizemos a festa. Naquele dia, na Vila Palmares 2, comemorei com ele. Patrocinei bebidas e comidas para muita gente. Foi uma festança. Ele ganhou e foi fiel à militância. No governo dele, fui interino de gabinete, da Secretaria de Administração e Coordenador da CTRH.

Debate Carajás: Como está seu relacionamento como Darci hoje?

Alípio: Há mais de 10 anos não nos falamos. O Darci descobriu que amizade não ganha política. Aliás, amizade é coisa de momento. Não tiro a razão dele. A política transforma as pessoas. É muita grana, podridão no meio. Eu vivia, como muitos outros, na casa do Darci. Ele foi meu padrinho de casamento. Ele tinha uma adega maravilhosa que gostava de mostrar para todos os amigos. Era amizade sincera, raiz. Fui professor dos filhos dele, amigo da Odilza, sua primeira esposa. Aí ele começou a dar ouvidos a fofocas, a se distanciar de amigos Judas. Sobrou para todos. Nunca me deu a oportunidade de falar com ele. Amigo não dá voto, só trabalho. Hoje, está mais ainda afundado numa rede de pessoas falsas e interesseiras. Ele sabe disto.

Debate Carajás: Por que você não está no governo dele?

Alípio: Estive nos últimos 2 anos, a convite do ex-secretário de educação, Luiz Vieira. Fui assessor jurídico da SEMED. Quando o Luiz saiu, tentei voltar, pois creio no meu potencial para prestar um serviço de excelência para a população, mas não me quiseram. Eles sabem de minha amizade com o Luiz Vieira. Eu creio na inocência dele. Tudo será provado, mesmo que cabeças grandes rolem no processo. Tem muita coisa por vir. Muitos comentam que o gestor-mor é masoquista, gosta de apanhar. São vários secretários, hoje no governo, que subiram no palanque do Valmir e baterem muito no “loirinho”, porém quem o ajudou, marca lugar na fila para falar com ele.

Debate Carajás: Você acha que o Luiz Vieira foi um bom gestor?

Alípio: Ele foi o um dos melhores, se não o melhor. A SEMED é uma prefeitura dentro da prefeitura. É enorme. Muito dinheiro. Luiz foi austero e isto afetou os bajuladores, preguiçosos e oportunistas. Se existe uma classe desunida, da qual faço parte há mais de 30 anos, é a do professor. A maior parte de nós é comprometida com a boa educação, mas a minoria oportunista e interesseira faz barulho. Basta ver as brigas no Sintepp. Os poucos professores que perderam a “boquinha” na administração do Vieira, fizeram um barulho tão alto que incomodou muita gente, inclusive ao prefeito. E olha que o Luiz sempre foi um grande defensor e amigo do Darci. Mas, como eu disse, ao Darci interessa os partidos. A amizade dele é com quem manda nos partidos. Deixou o Luiz Vieira a ver navios, com o nome jogado na lama. Pura “trairagem” do Darci.

Debate Carajás: Como você vê a SEMED hoje?

Alípio: A SEMED ainda funciona por causa dos bons profissionais, a maioria é efetiva, que lá estão. Infelizmente, as secretarias, com poucas exceções, foram prometidas aos partidos políticos. A SEMED está nas mãos de uma raposa. O leal servidor fantoche, que tem o título de Secretário de Educação, não sabe o que o aguarda. Tenho é pena dele. Em pouco tempo, irá pagar pelos desmandos e erros da raposa. A raposa despacha tudo da toca, nada é feito sem a anuência e autorização dela. O gestor é motivo de risos e deboche. Se não fossem os servidores públicos, comprometidos com a qualidade dos serviços, a SEMED estaria falida! Aponte um gestor da SEMED que não teve problemas com a justiça? Até o Raimundo Neto, que por muito tempo foi um excelente gestor, teve problemas. E olha que ele é advogado. Aliás como eu disse antes foi meu grande amigo. A política o contaminou. Pagou pelo erro. Foi humilhado, demitido.

Debate Carajás: E por que ninguém denuncia isto?

Alípio: Denunciar para quem? Para o curral de cordeiros vigiados pela raposa dona da SEMED? No curral, há um lobo enraivecido que uiva para todos os cantos, mas o uivo dele já não incomoda mais. Os cordeiros estão bem alimentados, só esperando a próxima estação para se fingirem de bons cordeiros atrás de votos. Muitos votaram e acreditaram num cabrito disfarçado de bode, achando que seria o próximo prefeito. Uma decepção até agora. Claro, ainda é cedo para avaliar os novos cordeiros. Aguardemos. Denunciar ao MP? Para quem? Depois que o Hélio Rubens partiu, o que foi feito para apurar e processar os bandidos que governam esta cidade? Veja bem, o lobo enraivecido quer aparecer, porém só faz merda. Ele tem que ganhar a confiança do servidor público com discrição. Ele tem boas intenções, mas está fazendo da forma errada! Lembro-me do Blog do Luiz Vieira. Muitos servidores confiavam nele e denunciavam as falcatruas. O servidor público é bom. Quer prestar um bom serviço, mas não confia em ninguém, tem medo. Eu trabalhei como Coordenar da CTRH por mais de seis anos! Desenvolvi o projeto MASPP que chegou a ser um dos ícones do governo Darci. Conheço o servidor. Você acha que irão prender o mau gestor pela merda grande? Ir atrás de erros em contratos milionários não resolve. Para pegar o gestor criminoso é preciso começar por baixo. É só se espelhar na LAVAJATO. Lembre-se de que um jardineiro derrubou um ministro. Agora, há uma coisa muito errada neste governo. Ainda não entendo o silêncio do MP. Ou talvez, o MP esteja agindo. É o caso do Programa VENCER. O prefeito decretou lockdown de uma semana, lançou o programa, encerrou o lockdown. Tem coisa aí! Há que se investir no servidor público honesto para que ele denuncie.

Debate Carajás: E você? Tem algo para denunciar?

Alípio: Apenas um alerta. Muitos servidores fazem horas extras necessárias. No entanto, há uma farra e proveito político no pagamento destas horas. O que onera muito a folha. Isto é antigo. Há servidores que possuem empresas e quase não aparecem no setor de trabalho. Sem falar nos assessores, já que vários se beneficiam do nepotismo cruzado. Tem assessor jurídico que nem mora na cidade, procurador também. Vou começar a incomodar. Vou entregar tudo de mão beijada para o MP. Se não agir, sei os caminhos. Aguardem e verão! A raposa será a primeira a cair e infelizmente, o fantoche dela terá o nome jogado na lama também! Depois, será a vez do urso amarelo. Amizade? O que é isto na política?

Debate Carajás: Algo mais a acrescentar?

Alípio: Quero agradecer ao convite para trabalhar neste portal de notícias. Quero dizer ao servidor público de Parauapebas, que acredito na categoria e no potencial de trabalho. Sei que vários têm medo de represálias e, por isto, mesmo inconformados, se calam. A este servidor será oferecido um canal seguro para denúncias. E quero dizer ao cidadão de Parauapebas que a Covid-19 ainda está aí. Mais de 420 mil mortes, 0,02% da população. 15 milhões de contaminados, 7% da população. Parece pouco, mas não é. Portanto, use máscaras, lave as mãos, mantenha a distância. (Portal Debate Carajás)

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