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Empresas se recusam a instalar outdoors contra Bolsonaro em Marabá

Repórter do Portal Debate Carajás ouviu de empresário que a recusa em veicular mídia contrária a Bolsonaro é determinada pelo medo de retaliação por apoiadores do governo. Manifestação contra o presidente acontece no município neste sábado (29)
Placas como esta foram instaladas em diferentes partes do País nas últimas semanas. Bolsonaro está sendo amplamente criticado por sua condução da pandemia | Foto: Reprodução/Twitter
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Às vésperas da manifestação contra Jair Bolsonaro (sem partido), marcada para este sábado (29), membro do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (SindUnifesspa) denuncia nas redes sociais uma suposta repressão de publicidade crítica ao presidente da República em Marabá.

De acordo com o professor Evandro Costa de Medeiros, em publicação no seu perfil do Facebook, uma empresa de propaganda em outdoor do município foi orientada a não aceitar contratos com publicidade crítica a Bolsonaro, sob o risco de sofrer processo judicial.

Outra empresa, ainda conforme o docente da Unifesspa, alegou que estava com as máquinas em manutenção para justificar a relutância em assumir o serviço solicitado pelo sindicato, que está organizando o ato deste dia 29 na cidade ao lado de outras entidades de classe.

Para o professor Evandro Medeiros, só há duas possibilidades para o que ele denuncia: ameaças à integridade empresarial ou alinhamento das empresas de publicidade a Bolsonaro.

Medo

Repórter do Portal Debate Carajás entrou em contato com empresário do ramo de publicidade em outdoor em Marabá e ouviu que a recusa em veicular a campanha contra Bolsonaro é determinada pelo medo de retaliação por apoiadores do governo. Inicialmente, ele havia permitido o uso do nome na matéria, mas ao entrar em contradição preferiu reservá-lo.

“Anda muito difícil lidar com política no Brasil, seja de esquerda ou direita o seu perfil ideológico. A polarização é real. Por esse motivo, decidimos não aceitar serviços de veiculação de mídia contrária ou favorável ao Bolsonaro, porque o risco de depredação é enorme nos dois cenários”, afirmou.

Contudo, um dos outdoors de propriedade do empresário exibe mídia de um sindicato favorável às políticas do presidente. A peça publicitária está sendo veiculada há pelo menos um mês, sem qualquer tipo de depredação patrimonial.

“Sim, mas essa placa não ofende ninguém. É uma homanagem. Não é política. Na verdade, as placas com publicidade contrária ao Bolsonaro são ainda mais vulneráveis, porque o pessoal [conservador] depreda mesmo. O prejuízo pode acabar maior que o ganho”, reconheceu.

Para além disso, há também o fato de que grande parte dos contratantes desse tipo de mídia é apoiadora das políticas de Bolsonaro, forçando os empresários a recusarem contratos da oposição com o fito de preservarem os clientes. Isso quando os próprios empresários não estão alinhados com o presidente.

Saiba mais

Em Marabá, a manifestação contra Bolsonaro acontece em forma de carreata neste sábado, 29 de maio. A concentração de veículos ocorre a partir das 8h no Carajás Centro de Convenções e Eventos, na BR-222, Núcleo Nova Marabá. Antes disso, na tarde desta sexta-feira (28), haverá a confecção de faixas, no prédio da Cajum, na Folha 21. As medidas recomendadas são: uso de máscaras de proteção facial (preferencialmente PFF2 ou N95), porte de frasco com álcool em gel ou álcool etílico a 70% e distanciamento social.

A pauta do ato inclui diversas demandas, como o impeachment de Bolsonaro, o retorno do auxílio emergencial de R$ 600, a ampliação das vacinas disponíveis, o fim da violência contra a população negra e a suspensão de cortes de verbas na Educação.

As manifestações previstas nos 26 estados e no Distrito Federal ocorrem no momento de maior fragilidade política de Bolsonaro, amplamente criticado por sua condução da pandemia e pela deterioração da economia brasileira. Segundo a mais recente pesquisa do instituto Datafolha, de 11 e 12 de maio, a aprovação do presidente atingiu o patamar mais baixo de seu mandato.

Entre os organizadores da mobilização popular, estão a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), o Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino (Sindifes), o Diretório Central dos Estudantes José de Ribamar (DCE Unifesspa), o Sindicato dos Docentes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (SindUnifesspa) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). (Vinícius Soares/Debate Carajás)

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