Em 2019, a terra indígena Ituna-Itatá, localizada no sudoeste do Pará, nos municípios de Altamira e Senador José Porfírio, teve o maior desmatamento do país. Resultado de uma operação de fiscalização do Ibama, só em janeiro de 2020, mil hectares de desmatamento foram identificados. Em resposta a continuidade dessas operações, o senador Zequinha Marinho (PSC-PA) atacou os agentes do órgão e afirmou que está tramando para suspender as ações.
No vídeo, o senador do Partido Social Cristão, admite que o órgão está amparado pelas leis, mas mesmo assim, afirma que busca um jeito de acabar com o combate ao desmatamento. “Estamos tentando achar uma forma de legalmente embargar essa operação do Ibama. Lamentavelmente, ainda não conseguimos um avanço porque de uma certa forma, o Ibama está amparado”, declara.
No final da gravação, Zequinha afirma que o governador do Estado, Helder Barbalho, está por dentro de suas tramas. Ele contou que conversou com o mdbista sugerindo que a Polícia Militar não pode dar cobertura para atuação de servidores do Ibama nas operações, que por ele são chamados de “bandidos”. Assista:
A operação
Os fiscais localizaram dois postos de combustíveis que ficam na rota de entrada para a área indígena e abastecem os invasores. Na semana passada, eles foram embargados e lacrados, com apreensão de cerca de 5 mil litros de combustível. Alguns moradores da região – conhecida como Vila Mocotó, fora da terra indígena – tentaram impedir a saída da equipe de fiscalização, mas após um dia de tensão, eles conseguiram voltar para Altamira com o material apreendido.
O Ibama informou que esses postos serviam como ponto de abastecimento de máquinas pesadas, usadas para desmatamento na região, de acordo com informações do Ibama. Foi a primeira operação realizada pelo Grupo de Controle de Desmatamento da Amazônia (GCDA) do Ibama em 2020, que resultou na apreensão de 5 mil litros de combustível clandestino e na aplicação de dois autos de infração, que totalizam R$ 250 mil.
A área abriga indígenas em isolamento e foi reservada como uma das condicionantes da usina hidrelétrica de Belo Monte. Na primeira quinzena de janeiro, a equipe de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) chegou a ficar retida ao apreender combustível que seria utilizado no desmatamento a nas invasões.
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