MARABÁ (PA) – Desde o início da redemocratização do Brasil, ocorrida no dia 15 de março de 1985, não se tem registro de uma disputa eleitoral tão agressiva e virulenta vista em Marabá nas eleições de 2024, mas como diz o magistral poeta Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?”
Como resposta ao célebre gênio mineiro, eu utilizarei a seguinte expressão popular: “cada um no seu quadrado”, mas todos deverão continuar trabalhando pelo bem do povo de Marabá. Vamos iniciar a reflexão por Helder Barbalho (MDB) que, embora não tenha conseguido eleger seu candidato a prefeito, sua gestão possui uma aceitação popular bastante alta na Terra de Francisco Coelho e o governador é uma figura política bastante vista na cidade.
O governo Helder Barbalho executa diversas obras em Marabá, mantém uma boa relação com o atual prefeito e deverá adotar uma relação republicana com o candidato a perfeito eleito para não prejudicar os 75.690 (57,89%) eleitores que votaram nele na eleição do dia 2 de outubro de 2022 e o restante deste povo tão sofrido que vive nestas bandas do Pará e necessita do poio incondicional do governo do Estado do Pará.
Já o prefeito Sebastião Miranda (PSD) goza de uma aceitação popular beirando os 80%, porém também não conseguiu eleger seu sucessor, pois a chamada “transferência de voto” é algo bastante complicado e difícil de ser executada. Durante conversa com a reportagem do Portal Debate, no último sábado (5), Tião Miranda assegurou que passará a Prefeitura de Marabá (PMM) bem organizada e com dinheiro em caixa a seu sucessor para que ele possa usá-lo com eficiência. O político assegurou que fará uma transição de governo democrática e transparente sempre pensando no bem da população de Marabá.
“E agora, Toni Cunha? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora?”. Tirar um tempo para descansar o corpo, organizar as ideias e começar a “rabiscar” o esboço do futuro governo é o que deverá fazer, nos próximos dias, o prefeito eleito de Marabá com 69.666 votos, Toni Cunha (PL). Ao vencedor da disputa eleitoral em Marabá, cabe “jogar água na fervura” com o objetivo de “baixar o tom” de uma música recheada de torpedos disparados de todos os lados nas redes sociais, mas que definiram os rumos da vontade popular.
Já “Chamonzinho” (MDB) deverá compreender que a derrota em uma disputa eleitoral faz parte do jogo democrático. Se a falta de destinação de recursos oriundos de emendas parlamentares para melhorar a vida da população ajudou a pavimentar a rejeição da maior parte do eleitorado ao seu nome, está na hora de “corrigir a rota”, analisar à luz da democracia o que ele fez de errado, ressignificar seus conceitos democráticos e trabalhar sem rancor pelo bem-estar do povo de Marabá.
Os chamados “macaco velho” da política sempre afirmaram, ao longo da história, que existe uma hierarquia no jogo político em qualquer lugar do Brasil. Nesta eleição de 2024, eles viram Dirceu Ten Caten (PT) como o “prefeito do futuro”, ou seja, o político está pessoalmente bem preparado, mas ainda não teria chegado a sua vez de governar Marabá. Dirceu saiu da derrota eleitoral muito maior do que entrou na disputa. Para muitos, uma candidatura a deputado federal seria exitosa e pavimentaria o tão sonhado caminho que conduziria o jovem petista à Prefeitura de Marabá em um futuro não muito distante.
Parafraseando o poema do velho gênio mineiro, “está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, Helder, Tião, Toni, Chamonzinho, Dirceu?”, ou seja, a tarefa é árdua, solitária e difícil, mas sozinhos ou emparceirados a “batata quente está nas mãos de vocês”.
A partir de 1º de janeiro de 2025, todas as coisas que acontecerem de positivo ou negativo em Marabá serão debitadas na “conta política” de cada um de vocês, pois a vontade popular será sempre sábia, perspicaz, soberana, deverá ser respeitada e todos vocês são agentes públicos que possuem a obrigação de trabalhar pelo bem de nosso povo não para o bem de si próprios. (Pedro Souza)


