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‘Doutor Estranho’ estreia em quase 70% dos cinemas, e ‘Medida Provisória’ perde metade das salas

‘É preciso regulamentação e fiscalização’, diz Lázaro Ramos, diretor do filme que chegou a 365 cinemas e, esta semana, será exibido em apenas 137
'Doutor Estranho no multiverso da loucura' (2022) — Foto: Marvel Studios/Divulgação

Principal lançamento da semana, “Doutor Estranho no multiverso da loucura” entrou em cartaz em 2.260 salas de cinema em todo Brasil, o que representa 67% de um total de 3.378 salas (segundo levantamento da Ancine de 2021). Trata-se da segunda maior estreia de 2022, ficando atrás apenas de “Batman”, exibido em 2.500 salas em sua primeira semana, o equivalente a 74% de todo o circuito.

Os números reacendem o debate sobre a ocupação do circuito por grandes filmes estrangeiros, algo que se repete ano após ano diante do esvaziamento do debate sobre cotas de tela. Em 2019, “Vingadores: Ultimato” estreou em 2.702 salas, o que era equivalente a 92% dos cinemas do país até então, derrubando inclusive filmes que tinham bom desempenho nas bilheterias, como a comédia nacional “De pernas pro ar 3”.

A situação se repete em 2022. Para “abrir espaço” para a nova aventura da Marvel estrelada por Benedict Cumberbatch, o circuito precisou podar filmes com bom desempenho comercial como “Medida provisória”, de Lázaro Ramos.

— É preciso de regulamentação e fiscalização. “Medida Provisória” acabou de alcançar uma marca importante (340 mil espectadores), atingindo em três semanas números que outros filmes levam muito mais tempo para alcançar, e ainda assim o número de salas reduziu bastante — aponta Lázaro Ramos. — O público brasileiro mostrou que queria assistir ao filme e se fez presente nas salas, mas esse desejo do público precisa ser mais reconhecido e respeitado.

Lázaro Ramos dirige 'Medida provisória' Divulgação — Foto:

Lázaro Ramos dirige ‘Medida provisória’ Divulgação

“Medida provisória” foi lançado em 188 salas no último dia 14 de abril. Nas duas semanas seguintes, o circuito do longa subiu significativamente para 330 e depois para 365 salas. A partir de hoje, o filme fica disponível em apenas 137 salas, uma queda de mais de 50%.

Produtora executiva focada em políticas públicas no audiovisual, Marina Rodrigues lamenta a falta de regulamentação e de compreensão sobre taxa de ocupação de tela no país. Ela aponta a pressão do mercado estrangeiro para manter este domínio “cada vez mais predatório”.

— É preciso construir caminhos para cessar de vez a noção errada de que cota de tela é censura, as pessoas precisam ter acesso à informação e entender que esse mecanismo protecionista existe há mais de 100 anos pelo mundo e que diversos países estão conseguindo se reerguer economicamente no audiovisual por conta da política — diz Rodrigues.

O analista de mercado Marcelo J.L. Lima, por outro lado, diz que a rede exibidora oferece aquilo que o público procura, lembrando que também é possível obras nacionais de interesse popular derrubarem produções internacionais.

— Se pensarmos na ideia da invasão de um título internacional que está derrubando um filme nacional, ela é meio míope. Quando “Minha mãe é uma peça 3” entrou em cartaz, chegou derrubando vários títulos internacionais, como “Frozen 2”. E é o que “Doutor Estranho” está fazendo agora. É demanda de mercado. O mercado está pedindo um título deste. E o cinema está oferecendo o que o mercado está pedindo — destaca Lima, diretor do Portal Exibidor e da Expocine, que é responsável pela sala Cine Marquise, em São Paulo.

Segundo os dados do “Filme B”, “Doutor Estranho no multiverso da loucura” já foi visto por 640 mil pessoas apenas durante as pré-estreias realizadas na noite de quarta-feira (4). (Com O Globo)

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