Dom Azcona, bispo emérito do Marajó, morre aos 84 anos

Dom José Luís Azcona deixa um legado de luta pela dignidade humana, especialmente nas comunidades mais isoladas e carentes da Amazônia.
Crédito: Reprodução

DA REDAÇÃO — Faleceu nesta quarta-feira (20), aos 84 anos, Dom José Luís Azcona, bispo emérito do Marajó e uma das vozes mais firmes na defesa dos direitos humanos na região amazônica. Ele estava internado em Belém desde o final de outubro para tratar um câncer no pâncreas, diagnosticado em junho deste ano. Nos últimos meses, devido ao agravamento de sua saúde, o bispo passou a receber cuidados paliativos, já que sua fragilidade física impossibilitava intervenções cirúrgicas ou tratamentos curativos.

Dom Azcona teve uma trajetória marcada pela defesa das populações vulneráveis do Marajó, em especial crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual e tráfico humano. Sua liderança foi reconhecida internacionalmente, sendo frequentemente destacado como exemplo de dedicação à justiça social e à dignidade humana. No entanto, sua atuação firme contra as desigualdades e injustiças sociais também lhe rendeu ameaças e pressões, que ele enfrentou com coragem ao longo de décadas de trabalho pastoral.

O bispo emérito foi internado diversas vezes nos últimos meses devido a complicações de saúde, como a redução dos níveis de sódio no sangue causada pelo câncer. Durante seu tratamento, realizou dois ciclos de quimioterapia e apresentou melhoras temporárias. Contudo, a progressão da doença limitou as opções médicas disponíveis. Mesmo em meio ao sofrimento, Dom Azcona manteve sua fé e recebeu demonstrações de apoio de fiéis, incluindo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, que foi levada ao seu leito hospitalar em setembro.

Sua morte ocorre menos de um ano após um episódio polêmico envolvendo sua saída do Marajó, determinada pela Nunciatura Apostólica em dezembro de 2023. O afastamento causou protestos em várias cidades da região, como Bagre, Breves e Soure, onde moradores expressaram indignação com a decisão. Carregando cartazes, balões brancos e entoando cânticos religiosos, as comunidades manifestaram sua gratidão ao bispo que tanto fez pela população local e que se tornou uma referência de esperança em meio às adversidades da região.

Dom José Luís Azcona deixa um legado de luta pela dignidade humana, especialmente nas comunidades mais isoladas e carentes da Amazônia. Sua dedicação foi além do campo espiritual, estendendo-se à transformação social e ao enfrentamento de estruturas opressoras que perpetuam desigualdades. A região do Marajó, uma das mais pobres do Brasil, foi profundamente impactada por sua atuação, e sua ausência será sentida por todos que o acompanharam e apoiaram sua missão.

O corpo do bispo emérito será velado em Belém antes de ser levado ao Marajó, onde deverá receber homenagens da população local. Sua morte representa o fim de uma era para a Igreja na Amazônia, mas também inspira a continuidade da luta por justiça social e proteção aos mais vulneráveis, causas que ele abraçou até seus últimos dias.

Nas redes sociais, o deputado estadual do Pará e prefeito eleito de Marabá, Delegado Toni Cunha (PL), expressou pesar pelo falecimento do religioso: “Com profundo pesar, registro o falecimento de Dom José Azcona. Tive a honra de conhecer o ‘Apóstolo do Marajó’, homem de muita luta contra as mazelas sofridas pelo povo do Marajó, em especial a luta contra violências físicas e sexuais sofridas por crianças e adolescentes. Sua luta não pode ser esquecida, seu legado será eterno. De minha parte, em sua homanagem e pela força de seu exemplo, farei tudo o que for possível para proteger os vulneráveis como prefeito de Marabá. Descanse em paz, Dom Azcona”. (Vinícius Soares/Portal Debate)

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