DA REDAÇÃO — O delegado da Polícia Civil do Pará, Arthur Nobre, apresentou-se à Corregedoria da Polícia Civil no início da noite desta sexta-feira (18), após ter sua prisão preventiva decretada pela Justiça. Nobre é investigado por suspeita de envolvimento em crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e associação criminosa. A decisão judicial foi proferida pelo juiz Heyder Ferreira, da Vara de Inquéritos, e faz parte de uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Pará, em parceria com a 2ª Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial de Belém.
O delegado Arthur Nobre, que atuava como diretor da Seccional do Comércio em Belém, teve sua prisão decretada após uma série de investigações que apontaram para sua suposta participação em um esquema criminoso que envolvia o ex-cartorário Diego Kós Miranda. De acordo com a investigação, Nobre teria recebido R$ 150 mil em vantagem indevida para direcionar inquéritos policiais e proteger membros do esquema fraudulento. A transferência desse valor teria sido feita a partir da conta da empresa Atitude Incorporadora Ltda, controlada por Diego Kós Miranda, para Andreza Maia de Souza, uma pessoa supostamente indicada pelo delegado, que também teve a prisão decretada.
O mandado de prisão de Arthur Nobre foi cumprido de ofício, após o juiz considerar que a liberdade do delegado representaria um risco à instrução processual, podendo comprometer a coleta de provas e a imparcialidade do processo. A decisão judicial destaca que a prisão preventiva foi necessária para evitar interferências nas investigações e garantir que o processo ocorra de forma justa e transparente.
O caso teve origem em uma denúncia feita pelo Red Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Real LP, que alegou ter sido vítima de um golpe de R$ 10 milhões, orquestrado por Diego Kós Miranda e outros suspeitos. O esquema envolvia a falsificação de documentos para obtenção de empréstimos bancários utilizando imóveis que não pertenciam à empresa envolvida. Kós Miranda e seus colaboradores criaram a empresa Atitude Construções e Incorporações LTDA, por meio da qual apresentavam certidões vintenárias falsas para obter financiamento de instituições financeiras, oferecendo imóveis inexistentes como garantia.
Quando as parcelas dos empréstimos começaram a vencer sem pagamento, os bancos descobriram que os bens oferecidos como garantia não pertenciam à empresa. O caso passou a ser investigado pelas autoridades, e as suspeitas sobre a participação do delegado Arthur Nobre surgiram após a descoberta da transferência de R$ 150 mil entre a conta de Diego Kós Miranda e a de Andreza Maia de Souza.
Além de Nobre e Kós Miranda, outros envolvidos no esquema incluem Giseanny Valéria Nascimento da Costa, que atuava como gerente financeira da organização criminosa, responsável por administrar as transações e o dia a dia das operações fraudulentas. Marcus Vinícius Silva Almeida, outro colaborador, também é apontado como um dos principais envolvidos, tendo recebido parte dos valores desviados e prestado assessoria às instituições financeiras enganadas pelo esquema.
Na decisão que decretou a prisão de Arthur Nobre e Andreza Maia de Souza, o juiz Heyder Ferreira justificou que a prisão preventiva é necessária para garantir o bom andamento das investigações e evitar qualquer tentativa de obstrução por parte dos envolvidos. O magistrado destacou que a liberdade de Nobre e Andreza poderia comprometer a instrução processual, permitindo que provas fossem ocultadas ou manipuladas.
A decisão ainda mencionou o envolvimento de um membro do Ministério Público no esquema, conforme indicado em diálogos interceptados entre Diego Kós Miranda e seu pai, Silvio Kós Miranda. Segundo as conversas, “uma pessoa” teria sido cooptada dentro do Ministério Público para impedir que a investigação fosse encaminhada ao GAECO. Esse fator, combinado com as evidências de atuação do delegado Nobre no direcionamento de inquéritos para proteger o esquema criminoso, levou à decretação de sua prisão.
O Ministério Público do Pará havia solicitado medidas cautelares para o delegado, propondo seu afastamento das funções, mas o juiz optou pela prisão preventiva, considerando que Nobre ocupava uma posição central no esquema. A sentença ressaltou que a prisão preventiva é necessária para impedir que os envolvidos continuem a interferir nas investigações e para assegurar a correta aplicação da lei.
Relembre o caso
Diego Kós Miranda, ex-cartorário, é acusado de envolvimento em um esquema de fraudes que causou prejuízos a diversas instituições financeiras, incluindo um golpe de R$ 10 milhões contra o Red Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Real LP. O esquema operava por meio da empresa Atitude Construções e Incorporações LTDA, que utilizava certidões vintenárias falsas para obter empréstimos bancários, oferecendo imóveis inexistentes como garantia.
O esquema foi descoberto após os bancos perceberem que os imóveis usados como garantia não pertenciam à empresa. Além de Diego Kós Miranda, outros envolvidos incluem Giseanny Valéria Nascimento da Costa, que administrava as finanças do grupo, e Marcus Vinícius Silva Almeida, que recebia parte dos valores desviados e auxiliava nas negociações fraudulentas.
A reportagem do Portal Debate entrou em contato com a Delegacia-Geral da Polícia Civil do Pará a fim de obter um posicionamento oficial da corporação a respeito da investigação e da prisão do delegado, mas não houve retorno até a publicação desta notícia. (Portal Debate)
Matéria atualizada em 21/10 às 8:24h


