O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) determinou que o julgamento de Willian Araújo Sousa, acusado pela morte da tatuadora Flávia Alves, ocorrerá a portas fechadas na próxima segunda-feira (17), em Marabá. A decisão, tornada pública nesta sexta-feira (14), estabelece que o júri não terá presença da imprensa, do público nem transmissão online, o que provocou imediata mobilização de familiares, amigos da vítima e moradores da cidade. Apesar disso, a família da vítima e do réu poderão acompanhar o júri no Fórum de Marabá.
A medida acompanha o indeferimento do pedido de desaforamento apresentado pela defesa. O TJPA entendeu que a repercussão nas redes sociais teria sido provocada pela própria advogada do réu, Cristina Longo, motivo pelo qual não se configuraria risco suficiente para deslocar o julgamento para outra comarca.
Com a nova definição, apenas servidores do fórum, equipe da defesa, assistente de acusação, Ministério Público e a magistrada terão acesso ao plenário. O cerco ao público ocorre dias antes da retomada do caso, que já havia sido interrompido em agosto, quando o primeiro júri foi cancelado após o abandono da advogada da defesa durante a sessão. O episódio resultou no encaminhamento do caso à Defensoria Pública e comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil.
O julgamento trata do assassinato de Flávia Alves, desaparecida em 15 de abril de 2024 após ser vista entrando no carro de Will Sousa. As investigações da Polícia Civil levaram à prisão de Will e de sua esposa, Deidyelle de Oliveira Alves, que responde por ocultação de cadáver e fraude processual. O corpo de Flávia foi localizado em uma área rural entre Jacundá e Nova Ipixuna, e perícias apontaram estrangulamento dentro do veículo do acusado. Will responde por homicídio qualificado, feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual.
A divulgação da decisão provocou forte reação na cidade, onde familiares e apoiadores de Flávia defendem que o julgamento seja acessível ao público, sob o argumento de que a transparência é fundamental para a condução do caso. A mobilização nas redes sociais e em grupos comunitários se intensificou logo após o anúncio da restrição determinada pelo tribunal. (Portal Debate)


