Decisão açodada dos professores prejudica negociação com a Prefeitura de Marabá

A paralisação foi aprovada pela maioria dos presentes em assembleia da categoria, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), mesmo com a mesa de negociação aberta
Professores ocupam Câmara de Marabá após deflagração de greve no município | 29/04/2025 | Foto: Caed Alves

DA REDAÇÃO — Professores da rede municipal de Marabá decidiram entrar em greve geral, mesmo após o prefeito Toni Cunha (PL) solicitar um prazo até a próxima segunda-feira (5) para apresentar uma proposta de reajuste salarial. A paralisação foi aprovada pela maioria dos presentes em assembleia da categoria, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), mesmo com a mesa de negociação aberta.

A principal pauta da mobilização é o pagamento integral do piso nacional do magistério e o reajuste no vale-alimentação, que atualmente está em R$ 550. Durante reunião com a categoria, realizada na segunda-feira (29), no gabinete do prefeito na Sevop, Toni Cunha apresentou proposta de reajuste de R$ 100 no vale, que foi rejeitada pelos professores. Segundo a coordenadora-geral do Sintepp Marabá, Tatiana Alves, a proposta salarial ainda não foi apresentada com um índice definido, o que contribuiu para a insatisfação da categoria.

Ao Portal Debate, Tatiana afirmou que há disponibilidade orçamentária no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para arcar com o piso e propôs à gestão municipal um reajuste de 6,27%, que, embora não cubra integralmente o valor estabelecido nacionalmente, abriria margem para revisão salarial de outras categorias do funcionalismo ainda em maio. De acordo com ela, o prefeito prometeu um reajuste “bem melhor”, mas não indicou percentual, o que gerou desconfiança por parte dos professores.

Apesar de a greve ter sido aprovada por ampla maioria, há relatos de dissenso interno entre os profissionais da educação. Alguns servidores, que foram contrários à deflagração de greve, alegam que a paralisação foi precipitada, considerando que a negociação com a gestão ainda está em curso. Há também relatos de que a decisão teria sido influenciada pela coordenação local do Sintepp, o que Tatiane Alves negou em contato com a reportagem deste diário de notícias.

Após mais de três horas de reunião, o prefeito Toni Cunha pediu cinco dias úteis para apresentar uma resposta final. Em publicação nas redes sociais, o gestor reafirmou que o piso salarial “não se discute, paga-se”, mas ponderou que o cumprimento da medida depende de planejamento financeiro. “Paga-se com dinheiro, após a construção de condições para isso, não em apenas quatro meses”, afirmou.

Toni Cunha ainda destacou que o pagamento do piso aos professores não pode ser feito de forma isolada, já que outras categorias, como os servidores da saúde e da segurança pública, também aguardam reajustes. Segundo ele, qualquer nova proposta só será apresentada após análise conjunta da situação salarial de todos os servidores municipais. “Não negociarei com nenhuma categoria em greve até decisão judicial sobre a questão. Prejudicar crianças, que dependem da escola para evoluir e até para se alimentar, não é o caminho”, declarou.

A Prefeitura de Marabá divulgou nota oficial, reafirmando a abertura da mesa de negociação com os profissionais da educação. No comunicado, a administração municipal lamentou a deflagração da greve e afirmou que irá acionar o Poder Judiciário para que o movimento seja declarado ilegal. A gestão considera que a paralisação prejudica o interesse público e fere o direito fundamental à educação.

“A Prefeitura reafirma o compromisso com a valorização dos profissionais da educação, com a qualidade do ensino público e com a proteção dos direitos dos estudantes e das famílias”, diz trecho da nota oficial. Como resultado desta atitude intempestiva de parte da categoria, segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed), apenas 2% das escolas da zona urbana e 25% das escolas rurais aderiram ao movimento precipitado dos educadores de Marabá. (Portal Debate)

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