Cotijuba: Famílias temem que comandante da lancha possa fugir do Pará

O Ministério Público deu parecer favorável à soltura de Marcos Oliveira. Agora, a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém tem até 10 dias para conceder ou não a liberdade a ele.
Prisão de Marcos Oliveira - Foto: Agência Pará

ILHA DE COTIJUBA (PA) – Os familiares das vítimas do naufrágio da lancha “Dona Lourdes II”, que afundou na Baía do Marajó, próximo à Ilha de Cotijuba, em Belém, temem que o comandante da embarcação, Marcos de Souza Oliveira, 34 anos, ganhe liberdade e possa fugir de Belém.

Essa possibilidade pode ocorrer devido ao parecer favorável à soltura de Marcos Oliveira, dado pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), no dia 28 de outubro de 2022. A juíza Sarah Castelo Branco, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, tem até 10 dias após a manifestação da entidade para conceder ou não a soltura do comandante da embarcação.

A defesa de Marcos Oliveira solicitou a revogação da prisão do seu cliente no dia 18 de outubro, por entender que ele possui condições de aguardar em liberdade. No dia 28, o promotor de Justiça Edson Augusto Souza, vinculado a 2ª Vara do Tribunal do Júri, ofereceu denúncia contra Marcos por dolo eventual e omissão de socorro, além de se manifestar de maneira favorável à liberdade por compreender que a prisão não se faz mais necessária.

O advogado Marco Pina, que representa duas famílias, diz que a notícia pegou todos de surpresa, inclusive ele mesmo. A acusação diz que vai respeitar a decisão da magistrada caso ela permita a liberdade do acusado, porém ele acredita que há o risco de fuga do comandante da embarcação. “Nós, logicamente, enquanto defesa de duas famílias, ficamos muito surpresos e vamos aguardar qual vai ser o posicionamento da juíza”, comentou.

“Se ela se manifestar conforme o parecer do promotor, se decidir pela revogação da prisão e liberdade do Marcos Oliveira nós vamos recorrer ao tribunal. Nós pensamos que ele não deve sair por acreditarmos que existe o risco concreto de fuga dele, por conta da atitude e do modo que ele agiu antes de ser preso.

Quando aconteceu o naufrágio no dia 8, ele saiu sem socorrer ninguém, sem prestar qualquer tipo de auxílio, ficou alguns dias escondido, e só depois foi decretada a prisão dele”, concluiu.

O naufrágio da lancha

A lancha “Dona Lourdes II”, de responsabilidade do comandante Marcos de Souza Oliveira, naufragou no dia 8 de setembro de 2022, na Baía do Marajó, próximo à Ilha de Cotijuba, em Belém. O naufrágio resultou na morte de 23 pessoas (13 mulheres, seis homens e quatro crianças). Os sobreviventes foram 66.

No dia 18 de outubro, mais de um mês após a tragédia, o corpo da última vítima do naufrágio, Sofia Loren, de 4 anos de idade, foi identificado após passar por exame de DNA. A família se deslocou da cidade de Salvaterra para Belém realizar a liberação do corpo da criança. (Portal Debate, com O Liberal)

Relacionados

Postagens Relacionadas

Nenhum encontrado

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!