Tião Miranda solicitou permissão para fazer empréstimo de 72 milhões

No último dia 16 de agosto, a Prefeitura de Marabá enviou para a Câmara Municipal um pedido de autorização para contração de crédito de R$ 72 milhões junto à Caixa Econômica Federal destinado ao prolongamento da Avenida 2000, no bairro Belo Horizonte, para a construção de uma terceira ponte sobre o rio Itacaiúnas e acesso à BR-230, no núcleo Nova Marabá, dando início a uma discussão bastante comentada nos últimos dias na cidade.

A partir da divulgação da solicitação de empréstimo nas redes sociais, começou-se um debate “acalorado”, fomentado por cidadãos comuns, políticos “de olho” na prefeitura de Marabá em 2020, algo natural no mundo político, e influenciadores digitais (pré-candidatos a vereador ou pagos por grupos de oposição), questionando a construção de mais uma ponte em Marabá, em vez de se fazer um novo hospital público na cidade polo do sudeste paraense utilizando recurso próprio.

Para se chegar à essência da razão, não a razão dos políticos de oposição, dos influenciadores digitais ou do prefeito Sebastião Miranda, o Portal Debate Carajás se debruçou nas diretrizes do Ministério da Saúde, no número de leitos existentes em Marabá, cadastrados no Ministério da Saúde e na quantidade de habitantes existentes no município, buscando mostrar para a população quem tem razão nesse “bate-boca”, misturado com uma dose de filigrana política.

Os leitos existentes no Hospital Regional de Marabá, Hospital Municipal de Marabá (HMM) e no Hospital Materno Infantil (HMI) representam 0,72% para cada mil habitantes, bem abaixo da média regional de 2,2%, para atender uma população de 276 mil habitantes, números do ano de 2016. De uma forma geral, a assistência de saúde pública precisa melhorar em todo o Brasil.

Para atender a população, Marabá oferece 23 Unidades Básicas de Saúde (UBS), distribuídas nos vários bairros da cidade e na zona rural, um Centro de Especialidades, um Centro de Atendimento para Dependentes Químicos, um Centro de Atendimento para Deficientes Mentais, duas bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com cinco ambulâncias e chegarão mais três veículos, um Centro de Referência em Saúde da Mulher (Crismu), dois laboratórios públicos e quatro ambulâncias para a zona rural destinados a prestar assistência médico-ambulatorial para o povo de Marabá.

O atendimento de saúde está bom e humanizado? Não. Ainda precisa melhorar bastante, mas não é um dos piores do Brasil. Nos últimos 10 anos, a estrutura física do HMM foi reformada e ampliada várias vezes, e a qualidade do atendimento melhorou. Ainda longe do padrão ideal, o serviço de saúde pública é ruim em todo o Brasil e em Marabá não tinha como ser diferente do restante do país, os pobres sofrem para conseguir atendimento médico.

No entanto, no dia a dia, existem 117 mil veículos permanentes e mais 30 mil flutuantes rodando pelas ruas da cidade, atingindo um total de 147 mil automóveis nas ruas de Marabá, segundo dados do Departamento Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (DMTU). Para piorar o caos diário, essa quantidade de carros se concentra no perímetro urbano da BR-230.

Qualquer “espirro” que acontece nas pontes dos rios Tocantins e Itacaiúnas atrapalha a vida do cidadão. Às vezes, passa-se uma hora ou mais em um engarrafamento na ponte do Itacaiúnas, porque houve uma simples batida entre dois carros. Os engarrafamentos na ponte do rio Tocantins acontecem toda semana. Já viraram rotina para quem mora no complexo São Félix/Morada Nova.

Partindo dessa premissa, a construção de mais uma ponte pode trazer uma melhora significativa para o trânsito em Marabá. O condutor passará a ter mais de uma possibilidade de acesso aos núcleos Cidade Nova e Nova Marabá, mitigando um pouco os problemas de trafegabilidade na Rodovia Transamazônica.

“O cidadão poderá se livrar dos engarrafamentos e da costumeira interdição da ponte do Itacaiúnas”, argumentou o morador Adilson Lobato. Passará a existir a possibilidade de se organizar o trânsito pesado, composto por carretas, ônibus e caminhões, longe do centro da cidade, finalizou o motorista.

Para uma cidade com o orçamento previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA)/2019 de pouco mais de 964 milhões, um empréstimo de 72 milhões, dividido em “suaves parcelas”, não prejudicaria as finanças do município. Como diz o marabaense mais antigo, “Estão fazendo tempestade em copo d’água”. “Esse empréstimo é café pequeno para Marabá”. “Paga que a gente nem vê”, dizem as pessoas favoráveis à construção da nova ponte.

Os 21 vereadores da cidade darão a palavra final em breve, porém, o que rola nos bastidores é que a celebração de um empréstimo de 72 milhões junto ao governo federal ou estadual não demora menos de três anos para ser aprovado. Logo, executar a ambiciosa obra com recurso próprio seria bem mais rápido. No entanto, é tudo o que a oposição de Tião Miranda não quer nem ouvir falar. “Se os bandidos que assaltaram a empresa Prosegur em setembro de 2016 tivessem explodido a ponte do Itacaiúnas, em vez de atravessar e queimar um caminhão, a cidade teria ficado dividida até a construção de uma nova ponte.

Na política, manda quem ordena despesa. Marabá está crescendo e necessita melhorar sua mobilidade urbana, logo a construção de uma 3ª ponte sobre o rio Itacaiúnas mais cedo ou mais tarde acontecerá. É uma necessidade para se melhorar o trânsito na cidade. Como o prefeito Sebastião Miranda possui maioria absoluta na Câmara Municipal, dificilmente o projeto de lei não será aprovado, a despeito de várias enquetes realizadas nas redes sociais.

Pedro Souza