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Comerciantes demonstram preocupação com fiscalizações seletivas à mineradora em Marabá

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Alguns comerciantes da Vila União, Capistrano de Abreu, Três Poderes e Santa Fé estão apreensivos com as constantes interdições da Mineradora Buritirama, nos últimos 30 dias, em Marabá. Segundo eles, as frequentes paralisações da empresa vêm provocando prejuízos à frágil economia dos povoados pertencentes ao chamado “corredor do manganês”.

No dia 1/9/2019, a Buritirama foi fechada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMAS), impedindo a Mineradora de realizar extração e beneficiamento de minério de manganês de sua planta, localizada na Vila União, a 120 km do centro de Marabá, após um acidente, envolvendo um caminhão e uma motocicleta, onde duas jovens perderam a vida e uma terceira garota teve fratura em uma das pernas. A empresa conseguiu uma liminar, na Justiça, para voltar as atividades normais.

De acordo com moradores, após dois dias de fiscalização, realizadas por órgãos estaduais, ontem (10), a Mineradora Buritirama teve novamente as “portas lacradas”, atingindo mil empregos diretos e 3 mil indiretos. “Se a Buritirama fechar as portas em Marabá, a Vila União vai se acabar”, reclama um dono de mercearia que não quis se identificar por medo de represálias. De novo, a empresa teria se amparado na decisão liminar para prosseguir com a extração de manganês.

Segundo ele, O modus operandi das fiscalizações seletivas indica a existência de “peixe graúdo”, envolvido na extração de manganês na região. Os moradores dizem que o fechamento da Buritirama atinge o segmento de restaurante, borracharia, mercearia, hotel, posto de combustível, entre outros ramos de comércio na região do Rio Preto. Atingindo sobremaneira o comércio local.

Vários comerciantes da Vila União afirmam que apenas a Buritirama sofre constantes fiscalizações. As outras 20 minas e oito pátios existentes na região do Rio Preto continuam extraindo e transportando manganês como se nada tivesse acontecendo. “A região do Rio Preto toda já sabe que tem “peixe grande” envolvido nas constantes fiscalizações. Eles estão nadando nas águas da Baía do Guajará, em Belém, até chegarem ao Rio Tocantins em Marabá”, afirmou um dono de caminhão transportador de minério.

“Silêncio estranho”

Donos de caminhão, comprados para transportar manganês para a Buritirama, relatam a dificuldade de pagar as prestações porque, nos últimos dias, a Mineradora ou a estrada do Rio Preto foram interditadas várias vezes. “Estamos estranhando o silêncio dos órgãos fiscalizadores. O povo de Marabá não sabe o resultado das fiscalizações nem os motivos de fechamento da Buritirama. As informações não estão sendo fornecidas para a imprensa, este silêncio não é corriqueiro”. Alegaram.

Mineração Buritirama

O Portal Debate Carajás entrou em contato com a Mineração Buritirama, relatando a preocupação das comunidades e a empresa emitiu a nota abaixo:

“A Mineração Buritirama informa que vem cumprindo com todas as exigências legais requisitadas pelas autoridades, para o bom andamento de suas operações. Com um compromisso de geração de emprego e fomento da cadeia produtiva na região de Marabá/PA. Desde o início de suas operações, a Buritirama pauta a condução de seus negócios nas melhores práticas”.

MB/SA-Ascom

O outro lado

Na manhã de hoje (11), o Portal Debate Carajás fez contato com a Superintendência de Polícia Civil do Sudeste do Pará, por meio da 21ª Seccional de Polícia Civil, e foi informado que a fiscalização, ocorrida na Mineradora Buritirama, esta semana, faz parte de uma ação coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMAS), através da Divisão Especializada em Meio Ambiente (DEMA).

Por sua vez, a SEMAS, Núcleo Marabá, informou que mexe apenas com licenciamento ambiental. A parte concernente à fiscalização é toda comandada por Belém. À tarde, realizamos contato com a Assessoria de Comunicação da SEMAS, em Belém, porém não houve nenhum posicionamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente sobre a reclamação dos comerciantes. Assim que a resposta chegar ao Portal Debate Carajás será adicionada à matéria.

Pedro Souza

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