Clima deve mudar preços de alimentos no Pará

Segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), os preços do açaí, da farinha de mandioca e do pescado devem apresentar queda
(Igor Mota/ O Liberal)

O fim do chamado “inverno amazônico” pode trazer benefícios para o bolso dos paraenses, pois o período de menos chuvas na região resulta em uma mudança nos preços dos alimentos. Diferentemente de boa parte do país, a segunda metade do ano é caracterizada por menos chuva na Amazônia, o que impacta nas safras e traz variações nos custos dos produtos.

Segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), os preços do açaí, da farinha de mandioca e do pescado devem apresentar queda. Além disso, a Associação Paraense de Supermercados (Aspas) prevê que as folhagens também ficarão mais baratas a partir de agora.

Everson Costa, supervisor técnico do Dieese-PA, explica que durante o período chuvoso, no primeiro semestre, os produtos sofrem interferência direta nos custos, elevando seus preços na entressafra. Agora, com a mudança climática, os preços tendem a baixar, já que a fase de colheita e oferta dos produtos aumenta em quantidade e qualidade, como é o caso do açaí e da farinha de mandioca.

Segundo Everson, essas retrações nos preços continuarão até próximo do final do ano, quando a intensidade das chuvas deve mudar novamente. Para os consumidores locais, as variações de preços são mais visíveis em feiras e supermercados, especialmente ao comprar produtos produzidos na região.

Jorge Portugal, presidente da Aspas, destaca que as folhagens locais, como cheiro verde, alface, couve, cariru e jambu, também ficarão mais baratas, uma vez que a produção local tende a aumentar de qualidade e diminuir os custos durante o período pós-chuva.

Apesar do impacto local, as variações climáticas em outros estados do Brasil também influenciam nos preços praticados no mercado paraense. Cerca de 80% dos produtos comercializados na Central de Abastecimento do Pará (Ceasa-PA) vêm de outros estados, e apenas 20% são produzidos localmente. Frutas e hortaliças, como laranja pêra, limão tahiti, abacaxi, banana, coentro, cebolinha e abóbora, são alguns dos itens que sofrem influência do clima.

Denivaldo Pinheiro, diretor técnico da Ceasa-PA, aponta que o fenômeno “Super El Niño”, previsto para este ano, pode impactar no preço e no abastecimento de produtos, uma vez que causa secas no Norte e Nordeste do país e chuvas excessivas no Sul e Sudeste. Com a dependência de produtos importados dessas regiões, é esperado que o mercado local seja afetado.

Mesmo diante dessas variações, o segundo semestre do ano é quando são registrados os maiores volumes de vendas no mercado paraense, com destaque para produtos importados como batata inglesa, cebola, cenoura, tomate, repolho, banana prata, melancia e abacaxi.

A população paraense poderá aproveitar a queda nos preços de alguns alimentos locais e produtos importados, mas é importante estar atento às flutuações causadas pelas variações climáticas tanto na região quanto em outros estados brasileiros. O consumidor deve buscar informação e planejamento para garantir uma compra mais consciente e vantajosa durante esse período de mudanças nos preços. (Portal Debate, com O Liberal)

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