Marabá
31°C
Clear sky

Cientistas criam primeiro embrião de macaco-humano em laboratório

Cientistas chineses conseguiram criar exatamente um híbrido de macaco e células humanas, existindo juntas em um embrião vivo | Foto: Reprodução
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Um grupo de pesquisa da China anunciou em 15 de abril na revista científica Cell que conseguiu desenvolver em laboratório embriões híbridos de macaco e humano. Durante o experimento, os embriões cresceram e se multiplicaram, sobrevivendo por até 19 dias em cultura. É a primeira vez que as células das duas espécies se comunicam com sucesso, gerando uma quimera (denominação para o ser criado a partir de dois animais). O estudo está dividindo a comunidade científica a respeito dos limites éticos envolvendo uma combinação de seres tão próximos na cadeia evolutiva e as possíveis consequências disso.

Entenda o experimento

Durante a pesquisa, foram fertilizados óvulos extraídos de macaco cinomolgo (Macaca fascicularis). Seis dias após a fertilização, 132 embriões receberam células-tronco pluripotentes humanas, capazes de se desenvolverem como uma infinidade de células dentro e fora dos embriões. As células híbridas cresceram e se dividiram, como é esperado no desenvolvimento embrionário, porém cada indivíduo resultou combinações únicas entre células de humano e de macaco.

Durante o estudo, os embriões se deterioraram em níveis variáveis: 11 dias após a fertilização, 91 estavam vivos; no 17º dia, 12 sobreviveram; e apenas 3 chegaram ao 19º dia após a fertilização.

Para que criar um “homem-macaco”?

Os pesquisadores envolvidos no experimento acreditam que alguns híbridos de humanos e animais possam ser boas cobaias para testes de drogas e usados para o crescimento de órgãos para transplante. Desde 2017, a equipe vem trabalhando com híbridos e já testou porcos com células humanas, vacas com células humanas e ratos com células de camundongo. Em 2019, o mesmo time de cientistas conseguiu manter um embrião de macaco crescendo em laboratório por 20 dias após a fertilização.

O time também tentou fazer um híbrido de rato e humano, mas até o momento não teve sucesso. Os envolvidos suspeitam que a dificuldade ocorre devido à distância de ambos na cadeia evolutiva, o que pode fazer que as células das duas espécies tenham mecanismos diferentes para se comunicar.

O último trabalho, no entanto, vem dividindo cientistas e biólogos: alguns questionam a necessidade dos experimentos usando primatas próximos a humanos, porque esses animais não costumam ser utilizados em pesquisas como modelos, já que o mais usual são ratos e camundongos. Há também o receio de que esse tipo de pesquisa possa chocar a opinião pública, uma vez que células nervosas humanas podem interferir na capacidade mental da quimera, embora no estágio embrionário não exista consciência.

Assunto delicado

Em entrevista à revista Nature, Juan Carlos Izpisua Belmonte, cientista envolvido na pesquisa, afirma que não há qualquer intenção de implantar o embrião híbrido em macacos; a ideia da pesquisa é somente observar o desenvolvimento do embrião in vitro e verificar como células de diferentes espécies interagem durante a fase inicial de crescimento.

Para a bióloga Magdalena Zernicka-Goetz, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA), o estudo ainda tem muito a avançar, uma vez que as células-tronco humanas conseguem se incorporar quando são introduzidas no blastocisto do macaco, mas ainda não é possível controlar quais delas serão desenvolvidas nesses tecidos — um passo essencial antes que esses modelos possam ser usados.

Como o mundo vê as quimeras

Estados Unidos, Reino Unido e Japão já limitaram as pesquisas com quimeras envolvendo células humanas. O estudo mencionado neste texto foi financiado pelo governo chinês em parceria com uma universidade espanhola e uma fundação americana.

Em maio de 2021, a Sociedade Internacional para Pesquisas com Células-Tronco (ISSCR) deverá publicar novas regras para estudos com células-tronco que devem envolver as quimeras, pois há um comitê da instituição especificamente para discuti-las atualmente. (TecMundo)

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!