MARABÁ (PA)– Na madrugada da última quinta-feira (6), Marabá enfrentou mais uma vez os impactos das fortes chuvas. Em apenas seis horas, o município registrou a queda de metade da média prevista para todo o mês de novembro de 2025, 52 milímetros, considerando que a média mensal é de 162 milímetros, segundo dados meteorológicos locais. O alto volume de água provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade, especialmente nas áreas cortadas por grotas e canais.
De acordo com a Secretaria Municipal de Obras e a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU), Marabá é atravessada por diversas grotas e igarapés que cortam bairros inteiros. Em muitos trechos, há residências construídas às margens ou sobre esses canais, o que dificulta o fluxo natural das águas e eleva o risco de enchentes.
Nos últimos oito anos, cerca de 300 residências localizadas em áreas de risco foram demolidas pela Prefeitura de Marabá em ações preventivas. Ainda assim, aproximadamente 600 moradias permanecem em situação irregular, ocupando áreas sujeitas a alagamento e colocando famílias em risco durante os períodos de chuva intensa.
O mapa de macrodrenagem atualizado neste ano evidencia a extensão dos canais urbanos e o crescente adensamento de construções próximas a eles. A falta de infraestrutura adequada, somada ao crescimento urbano desordenado, contribui para o agravamento do problema. Além disso, o descarte irregular de lixo em bueiros e grotas continua sendo um fator recorrente que causa entupimentos e transbordamentos logo nas primeiras chuvas mais fortes.
Os impactos não se limitam à chamada “Grota Criminosa”. Em bairros como Laranjeiras, há várias grotas que transbordam com facilidade, afetando vias e residências — estima-se que existam cerca de 100 grotas espalhadas por toda Marabá, muitas delas cruzando ruas importantes, como a Rua Cuiabá, no Bairro Da Paz.
Especialistas ressaltam que os episódios de enchentes não são novidade na cidade. Relatos e registros históricos apontam que o problema acompanha a expansão urbana desde a formação dos bairros mais antigos, mostrando que se trata de uma questão estrutural e de longa data.
Embora a Prefeitura realize ações de drenagem e limpeza, o padrão de chuvas cada vez mais concentrado e a ocupação irregular em áreas de risco mantêm o cenário crítico. O histórico de enchentes em Marabá reforça que a solução exige não apenas obras de infraestrutura, mas também planejamento urbano sustentável e consciência coletiva para reduzir os riscos e proteger as comunidades vulneráveis.(Erika Marinho-Estagiária) 


