A China deu um passo relevante na corrida global por tecnologias que conectam cérebro e máquinas. O órgão regulador de medicamentos do país aprovou o primeiro implante cerebral do mundo destinado ao uso médico comercial. A decisão coloca o país na dianteira de um setor que atrai investimentos bilionários e envolve uma disputa tecnológica direta com empresas e centros de pesquisa dos Estados Unidos.
O dispositivo foi desenvolvido pela empresa Neuracle Medical Technology, sediada em Xangai. O sistema usa um implante sem fio do tamanho aproximado de uma moeda. Os médicos posicionam o aparelho sobre a superfície do cérebro em um procedimento minimamente invasivo. A tecnologia capta sinais neurais sem precisar penetrar o tecido cerebral, o que reduz riscos associados a implantes mais profundos.
O objetivo da tecnologia é restaurar parte das funções motoras de pacientes com tetraplegia causada por lesões na medula espinhal cervical. Ao captar os sinais cerebrais ligados à intenção de movimento, o sistema envia comandos para uma luva pneumática especial. O equipamento executa os movimentos da mão e permite que o usuário volte a segurar objetos e realizar tarefas básicas do cotidiano.
Avanços e disputas tecnológicas
Os testes clínicos indicaram ganhos funcionais importantes para os pacientes que participaram dos estudos. O avanço reforça a corrida internacional por interfaces cérebro-computador, uma área considerada estratégica para o futuro da medicina e da inteligência artificial aplicada à saúde. Nos Estados Unidos, empresas como a Neuralink, ligada ao empresário Elon Musk, já realizam testes com implantes cerebrais em humanos desde 2024. No entanto, esses dispositivos ainda não receberam autorização para lançamento comercial.
Com a aprovação para uso médico no mercado, a China passa a ocupar posição de destaque em uma área que promete transformar tratamentos neurológicos e ampliar as possibilidades de reabilitação de pessoas com paralisia e outras limitações motoras. (Com Diário do Pará)


