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Caso Cristiane: Polícia Civil recebe imagens de cliente humilhando ‘caixa’ em hipermercado de Marabá

Cristiane Souza foi humilhada por cliente de supermercado em Marabá
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O Superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, delegado Thiago Carneiro, somente no início da tarde de ontem (23), 9 dias depois, recebeu as imagens de um suspeito, agredindo a operadora de caixa, Cristiane Gomes de Souza, em um hipermercado, localizado, no bairro Nova Marabá, às margens da BR-230, em Marabá, no sudeste do Pará

Os ataques misóginos, caracterizando crimes de injúria, discriminação social e ataques contra a honra, ocorreram, às 16 horas, de segunda-feira (15/6), depois de um cliente, cujo nome não foi fornecido pelo hipermercado, chegar ao caixa, passar os produtos, mas na hora de efetuar o pagamento, o indivíduo apresentou apenas a CNH e disse: “Bota na minha conta!”. Segundo Cristiane, era necessário o cliente apresentar o ‘Cartão da Loja’.

De acordo com a operadora de caixa, a partir desse momento, ela passou a receber vários impropérios, indignos de serem direcionados a um ser humano. Ainda mais mulher: “Rapariga, prostituta, bosta, empregadinha de merda”. Além dessas ‘pérolas segregacionistas e discriminatórias’, conforme consta no boletim de ocorrência, o suspeito vomitou várias outras palavras de baixo calão e ainda ameaçou a vítima com uma arma branca.

Hipermercado

O Portal Debate Carajás apurou que Cristiane vem enfrentado assédio moral, desde o dia que ela sofreu as agressões em seu local de trabalho. No início, ela teria ‘levado pressão’, superior, para não registrar o BO, depois foi advertida, por escrito, pela gerência da empresa em Marabá. De acordo com a mandatária do supermercado, ela tinha que ter ficado calada, logo ‘teria perdido todos os direitos’.

Devido a repercussão do caso, após o ‘caldo engrossar’, a advertência foi retirada. “Qual a relutância da empresa para não entregar as imagens? O hipermercado é a favor da violência contra a mulher ou ‘ganhou tempo’ para blindar seu cliente agressor? O valentão é ‘chegado’ de algum poderoso de Marabá?”. A sociedade precisa saber.

Durante nove dias, foi possível fazer ‘muita coisa’ com esse vídeo, porém a Polícia Civil irá acionar o Instituto de Perícias Científicas Renato Chaves para atestar a integridade das imagens. Essas indagações carecem de respostas, pois quem se cala ou se omite, dá margem para dezenas de interpretações.

Nos bastidores do supermercado, corre à ‘boca pequena’, que a gerente teria realizado uma reunião, no sábado (20), com todas as operadoras de caixa, presentes no momento das agressões, dando a ‘versão da casa’ sobre o episódio. Uma espécie de pressão funcional velada. Como se ela dissesse: “Não falem nada. Estamos de olho em vocês!”. Todavia, “Muita água ainda vai rolar embaixo dessa ponte”, pois a ‘maquininha de passar cartão’ é o meio mais fácil e ágil de se identificar o malfeitor.

No início do inquérito policial, a empresa negou as imagens. Primeiro, alegou que a empresa responsável pelo circuito interno era sediada em Belém, entretanto, descobrimos que o gerenciador do sistema fica no próprio prédio. Segundo, a gerente teria falado em ordem judicial. Terceiro, ela resolveu entregar as imagens, ‘sem mais nem menos’. Como dizia minha avô: “Esse angu tem caroço”.

Conselho da Mulher

O Conselho de Defesa dos Direitos da Mulher de Marabá (Comdim) está acompanhando o desenrolar das investigações. De acordo com Cláudia Araújo, presidente, o Comdim protocolou o Ofício Nº 309/2020, no dia 19/6/2020, no hipermercado, solicitando que a empresa disponibilizasse todas as provas necessárias para identificação do suspeito e acionou toda a rede de proteção à mulher, visando a dá apoio à vítima. 

Câmara Municipal

A vereadora Priscila Veloso (PSD), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, da Câmara Municipal de Marabá (CMM), informou que conversou com Cristiane, fez contato com o Conselho da Mulher e enviou ofício para o hipermercado, reforçando o pedido feito pelo Comdim, em relação à liberação das imagens para serem incorporadas ao inquérito policial.

Delegado Thiago Carneiro – Superintendente Regional de Polícia Civil

Polícia Civil

Ao tomar conhecimento do caso, o delegado Thiago Carneiro, Superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, encarregou-se de conduzir o inquérito policial relativo ao caso Cristiane. Ele já ouviu a operadora de caixa e solicitou as imagens do circuito interno. Nas primeiras horas da tarde de ontem (23), a gravação chegou ao gabinete da 10ª Região Integrada de Segurança Pública (RISP).

Sindicato dos Comerciários

“Em boca fechada, não entra mosquito”. Segundo Cristiane, o Sindicato dos Empregados no Comércio do Município de Marabá e Sul do Pará (Sindecomar) ‘não moveu uma palha’ durante o diálogo com a empresa. A atual diretoria sumiu. De acordo com ela, desde o início da confusão, os integrantes da Chapa 2, concorrentes da atual diretoria, estão prestando apoio, inclusive com a disponibilização do advogado Dr. Rodrigo Botelho.

“O agressor só será identificado porque eu registrei o BO, a minha família, meus amigos, a imprensa e os órgãos de proteção à mulher estão me ajudando. O Sindecomar não me ajudou em nada. Não falou ‘um ai'”, protestou.

Dr. Rodrigo Botelho, advogado de Cristiane

Vítima

Cristiane Gomes confidenciou para a Redação do Portal Debate Carajás que vem passando por momentos difíceis. Depois das ameaças, sentindo-se mal, ela foi ao médico e foi afastada de suas funções por 4 dias. Hoje (24), a operadora de caixa retorna para o serviço, mas está com muito medo de ser atacada pelo agressor. “Ele é muito violento e agressivo. Temo pela minha vida”, disse ela. “Estou com medo de andar na rua e não existe nenhuma medida protetiva. Me seguro em Deus e no meu marido”, afirmou.

“Estou emocionalmente abalada, porém estou firme e não vou me calar antes desse cara pagar pelos crimes cometidos. Aconselho as mulheres a não se calarem diante de uma agressão dessas”, finalizou. Após a publicação da matéria pelo Portal Debate Carajás, no dia 18/6/2020, o caso ganhou uma repercussão muito grande em Marabá.

Debate Carajás

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