MARABÁ (PA) – As doenças cardiológicas, principalmente a hipertensão e o infarto têm preocupado especialistas no Brasil. Cada vez mais tem aumentado o número de casos no país e no mundo. Nesta entrevista, o Portal Debate conversou com o médico cardiologista, Manoel Cláudio Furtado Veloso. Além de explicar sobre a importância do “check up” cardiológico, o especialista ressaltou a relevância desta medida preventiva por ele ser um conjunto de procedimentos que visa a avaliar a saúde cardíaca e vascular do paciente.
De acordo com Dr. Manoel Veloso, as doenças do coração estão acontecendo cada vez mais cedo. Antigamente, o “check up” cardiológico só era necessário após os 40 anos de idade. “Atualmente a gente recomenda que este procedimento seja feito um pouco mais cedo. Tem muita gente na faixa dos 30 a 40 anos tendo problemas. Por que isto? Porque o nosso estilo de vida mudou. O tipo de alimentação, o estresse diário têm modificado o perfil das pessoas”, recomendou o médico.
O cardiologista afirma que além destas variáveis é preciso observar outros fatores. “Agora, a ideia é ficar atento, principalmente, se a pessoa tem histórico de doenças cardiológicas na família, ou seja, se você tem pai ou mãe que, precocemente, infartaram ou tiveram Acidente Vascular Cerebral (AVC), entre 50 e 60 anos, torna-se um fator de risco, porque são pessoas que mesmo relativamente novas, tiveram essas doenças graves”.
O médico alerta que é importante o autocuidado no processo de prevenção. “É importante observar que se você está com excesso de peso, se não faz exercício, se exagera no consumo de bebida alcoólica e se tem problemas de diabetes ou colesterol alto (fatores de risco), é necessário procurar um especialista”, alerta Manoel Veloso.
Sobre o AVC, conhecido popularmente como “derrame”, Dr. Veloso destaca que assim como o infarto ele é uma doença muito grave. “São duas doenças preocupantes. No entanto, é preciso esclarecer que são coisas diferentes. O infarto é no coração. Trata-se do entupimento súbito da circulação das veias que mantém o órgão vivo. O infarto pode ser fatal. Às vezes, a pessoa nem consegue chegar com vida ao hospital, mas em outras circunstâncias, ele pode ser uma dor e a pessoa consegue fazer o tratamento e se recuperar”.
Sobre as complicações do AVC, o médico esclarece que “a doença é uma lesão no cérebro que resulta em modificações na fala, visão, motricidade e movimentação, geralmente de um lado só: perna, braço, entre outras áreas, mas causa um número elevado de óbitos no Brasil”, comentou.
O médico salienta que para se prevenir destas doenças graves, é preciso o paciente fazer avaliação médica pelo menos uma vez por ano. Ressalta ainda que em alguns casos, as consultas devem ser feitas a cada seis meses. “É necessário destacar que em relação aos sintomas, em determinados casos, a pessoa não sente nada. A mesma situação ocorre com o derrame, nem todos sentem os sintomas mais comuns. Por isso é importante fazer a prevenção”, alerta o especialista.
Sobre o estilo de vida, o cardiologista garante que o ideal é ingerir alimentos mais nutritivos, evitar produtos industrializados e excesso de alimentação. Além disso, é importante não comer demais no período da noite, praticar exercícios físicos, ingerir pouca bebida alcóolica e evitar o fumo e quaisquer outros tipos de drogas que afetem o coração do indivíduo.
Para Veloso, o ideal é comer menos, entretanto, desde o nascimento as crianças são estimuladas pelos pais a sempre comer muito. Na fase adulta, estes hábitos alimentares inadequados trazem graves danos à saúde da pessoa e muitas vezes redunda em infarto ou AVC.
“A saúde mental também é muito importante para saúde física das pessoas. É necessário diminuir o nível de ansiedade, fazer terapia para se conhecer melhor, ter um estilo de vida mais tranquilo e evitar ficar escravo das coisas”, aponta o cardiologista.
Como fazer o “check up” cardiológico
De acordo com Dr. Manoel Veloso, a consulta médica é o passo inicial. A partir dela, são avaliadas as mediadas necessárias para cada paciente. “Na parte de cardiologia, depende muito da queixa da pessoa e dos fatores de risco que ela já traz. Nos casos em que o paciente nunca fez exames, é realizada uma conversa para identificar quais são os riscos que ele traz. Depois disso, a gente faz uma avaliação médica com ausculta do coração, aferição da pressão, verificação da pulsação e avaliação de eventuais sinais de doenças. Em seguida, são solicitados os exames de ultrassom do coração, teste ergométrico, exames de imagem e também exames de laboratório para poder “checar” como estão as variáveis do sangue do paciente”, explica o profissional.
Sobre as principais doenças cardiológicas, o médico enfatiza que são diversas, mas destaca as duas que mais preocupam os especialistas, porque são as que mais acometem as pessoas. Conforme o cardiologista, a hipertensão, popularmente conhecida como pressão alta, é a mais comum. “A pressão alta é o aumento gradual da pressão. É importante a avaliação porque ela é muito comum. E é natural as pessoas desenvolverem a doença com o passar da idade. Quanto mais precoce for a avaliação, maiores são as chances de uma medida corretiva e assertiva”, comentou o especialista.
Em segundo lugar, está o infarto. Para o médico, ele é muito prevalente e é uma das doenças que mais matam no Brasil e no mundo. O infarto é o entupimento das veias do coração. Esta obstrução geralmente é causada por colesterol e outras doenças, como por exemplo, o diabetes e pressão alta descontrolada. Por isso, o cuidado precisa ser redobrado.
A insuficiência cardíaca, que é a incapacidade do bombeamento do coração, tem diversas causas. Entre elas encontra-se e hipertensão sem controle, as infecções na infância e a febre reumática. A Doença de Chagas, transmitida pelo inseto conhecido como “barbeiro” e também os aneurismas são fatores de risco para o início de uma cardiopatia. No entanto, a hipertensão e o infarto são as complicações mais comuns e as mais preocupantes para o ser humano.
Dr. Manoel Veloso recomenda que para se evitar danos à saúde do coração é preciso cultivar hábitos saudáveis na alimentação, rotina de trabalho, na saúde mental, na prática de exercícios, entre outras ações. “É preciso ter um vida equilibrada com descanso e lazer e envolvimento familiar. As pessoas que envelhecem bem também são aquelas que mantém uma atividade física. Elas vivem mais e melhor”, finaliza o médico cardiologista de Marabá. (Eva Fernandes/Portal Debate)


