“De grão em grão”: Candidatura de Hana encosta em Daniel em “empate técnico” no Pará

Levantamento aponta redução da diferença entre os dois principais candidatos e indica necessidade de novas alianças para vencer a eleição/2026.

(PEDRO SOUZA) – A nova pesquisa publicada pela Genial/Quaest, nesta segunda-feira (27), pode ser analisada sob diversas óticas. Um dos principais pontos observados é que a governadora Hana Ghassan (MDB) “encostou” no até então favorito pré-candidato Daniel Santos (Podemos). Os dois políticos mais bem posicionados na disputa pelo governo do Pará em 2026 encontram-se na chamada “área minada” do “empate técnico”.

No primeiro cenário apresentado pela pesquisa Quaest, Daniel Santos aparece com 22% das intenções de voto, enquanto Hana Ghassan registra 19%. Em um segundo cenário, o prefeito de Ananindeua alcança 24%, contra 22% da governadora. Os dados indicam uma diferença reduzida entre os candidatos, dentro de um contexto em que fatores como a “máquina administrativa”, grupo político forte e novas alianças partidárias poderão influenciar o desempenho eleitoral ao longo da campanha em 2026.

Em relação a um eventual segundo turno, a pesquisa aponta Daniel Santos com 34% e Hana Ghassan com 29%. No entanto, nesse contexto, a governadora conta com o apoio do ex-governador Helder Barbalho (MDB), que apresenta 63% de aprovação de sua gestão e é visto como um político muito habilidoso e forte, embora 37% dos entrevistados não gostaram de seu governo. No início da disputa, Daniel já esteve cerca de 20 pontos à frente de Hana que vem tirando a diferença “caladinha” e com muito trabalho.

Segundo os dados levantados pela pesquisa, 46% dos entrevistados avaliam o governo Helder como positivo, enquanto 34% o classificam como regular. Dessa forma, cerca de 80% dos entrevistados demonstram percepção ao menos neutra em relação à gestão dele, o que pode representar potencial influência no cenário eleitoral a favor de Hana Ghassan. O ex-governador, o “Rei do Norte”, também lidera a corrida ao Senado Federal “com folga” e isso ajuda muito.

Outro dado relevante da pesquisa indica que, para 56% dos eleitores, Helder Barbalho “merece” eleger seu sucessor. Além disso, de acordo com a Genial/Quaest, 32% dos entrevistados afirmam preferir votar em um candidato associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 27% indicam preferência por candidatos ligados ao bolsonarismo, grupo político ao qual Daniel Santos se juntou nessa disputa eleitoral.

Para se ter uma ideia do tamanho do “morro” que Daniel terá que escalar com sucesso, só o MDB e o PT, que tendem atuar conjuntamente na eleição, somam atualmente 87 dos 144 prefeitos do estado do Pará. Informações de bastidores apontam que esse número poderá chegar a 130 prefeituras e câmaras municipais, ampliando a base de apoio político da governadora. Entre as maiores cidades, estão Belém, Santarém, Parauapebas e Canaã dos Carajás.

Existe gente apostando que a “fatura” poderá ser liquidada ainda no primeiro turno a favor de Hana, caso o ex-senador de direita, Mário Couto (DC), mantenha a sua destrambelhada candidatura. Nesse cenário, a eventual indicação do deputado Dirceu Ten Caten (PT) como candidato a vice-governador na chapa com Hana, é apontada como um fator que poderá impactar a composição eleitoral, considerando a presença histórica do Partido dos Trabalhadores no estado do Pará, onde o PT sempre obteve cerca de 20% dos votos.

Por outro lado, os dados da Quaest também sugerem limitações no crescimento dos principais candidatos. O desempenho de Daniel Santos apresenta sinais de estabilização, pode ter “batido no teto”, enquanto Hana Ghassan demonstra crescimento lento, mas vem reduzindo a diferença a um pouco mais de cinco meses da eleição no Pará. Segundo integrantes do staff da governadora, ela é adepta do parafraseado ditado popular: “de grão em grão a andorinha enche o papo”.

Diante de tudo isso, o cenário permanece competitivo, com tendência de definição condicionada à evolução da campanha, novas alianças políticas e o comportamento do eleitorado nos próximos meses. Já Daniel Santos precisa “turbinar” sua campanha e buscar novos parceiros, pois o atual cenário se mostra meio tortuoso para o lado dele, embora 67% dos entrevistados ainda admitam trocar de candidato até o dia 4 de outubro de 2026. (Portal Debate)

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