Candidata laranja em Itupiranga não tirou nem o próprio voto há oito anos

Ariele Gomes (União) é suspeita de se registrar na disputa eleitoral apenas para cumprir a cota de gênero de 30% exigida por seu partido, fato comprovado por diversos indícios nas redes sociais
Ariele Gomes é sobrinha do candidato a prefeito Eider Gomes | Foto: Reprodução/Redes Sociais

DA REDAÇÃO — A candidata a vereadora de Itupiranga, Ariele Gomes (União), é suspeita de se registrar na disputa eleitoral apenas para cumprir a cota de gênero de 30% exigida por seu partido. Segundo uma denúncia recebida pela reportagem, Ariele não estaria realizando campanha e estaria, ao invés disso, apoiando o candidato Zé Bonzim (PT). Um vídeo publicado nos perfis de ambos confirma essa informação.

Ariele só publica conteúdos de outros candidatos em seu perfil bastante seguido no Instagram

Apesar de possuir 117 mil seguidores em seu perfil no Instagram (mais que o dobro da população de Itupiranga), Ariele Gomes não publicou sequer uma foto com menção à candidatura até às 22h do dia 26 de agosto, dez dias após o início da propaganda eleitoral.

No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ariele aparece como aguardando julgamento de registro e constando como “concorrendo”. Esta não seria a primeira candidatura da jovem considerada “de fachada”; em 2016, ela não recebeu nem o próprio voto nas eleições municipais.

Ariele tirou nenhum voto na eleição de 2016, o que demonstra que a candidatura era mesmo de “fachada”; situação parece se repetir no pleito deste ano

No último domingo (25), antes do fechamento desta matéria, Ariele publicou em seu perfil no Instagram, que tem 117 mil seguidores, sobre uma sessão de bronzeamento artificial. Quatro dias antes, postou fotos e respondeu com ironia a comentários sobre sua candidatura, rindo ao ser questionada se era candidata a vereadora ou assessora.

Comentários de seguidores evidenciam tentativa de fraude à cota de gênero

A Lei 9.504/1997, no §3º do art. 10, estabelece percentuais mínimos de participação de candidatos de ambos os sexos nas eleições, visando promover a diversidade de gênero nos cargos eletivos. No entanto, tem havido registros de candidaturas femininas fictícias, usadas apenas para atender essa exigência. O caso de Ariele Gomes aparenta ser um exemplo dessa prática.

Em 2023, o TSE julgou 216 processos relacionados à cota de gênero, muitos envolvendo fraudes por meio de candidaturas fictícias para preencher o percentual mínimo de 30% exigido pela legislação. Até o momento, 760 processos sobre o tema foram autuados no TSE. A candidata Ariele Gomes foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou. (Portal Debate)

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