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Caminhão sujo e enferrujado é flagrado entregando carne em Marabá

Caminhão frigorífico em desacordo com as normas sanitárias foi flagrado próximo ao antigo Cabaré do Canela Fina, na Magalhães Barata, Marabá Pioneira | Foto: Arquivo Pessoal
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O flagrante feito por leitor do Debate em frente a um açougue no Núcleo Pioneiro de Marabá, no sudeste do Pará, mostra o descumprimento de uma regra crucial para o transporte seguro de peças de carne: a carcaça não possui proteção plástica, como determina o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O registro mostra, inclusive, as péssimas condições de higiene do caminhão frigorífico, um VW 8120, cor branca, modelo 2003. Faltas deste tipo são comuns e abrem espaço para a contaminação do alimento, o que pode levar à transmissão de doenças ao consumidor e constitui fato grave, conforme especialista ouvida pelo Portal.

A legislação em vigor determina que, além do plástico protetor, as carnes bovina e suína precisam ter a origem inspecionada. Isso tem que estar atestado em uma etiqueta-lacre nos grandes cortes. Nesses casos, o cliente pode pedir ao açougueiro para assegurar a procedência do produto, bem como data do abate e validade, por meio da apresentação desse dispositivo. Já para pequenos cortes, embalados a vácuo, a etiqueta com informação de origem tem que estar junto ao produto.

Nesta esteira, a mesma legislação obriga que o varejista sinalize em seu estabelecimento, por meio de placa, o nome do fornecedor e o número de registro do órgão de inspeção. Além disso, os trabalhadores do transporte de carnes têm que usar o uniforme obrigatório, que inclui bota e protetor lombar, no caso daqueles que carregam as peças.

O órgão responsável pela fiscalização do transporte de carnes em Marabá é a Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri), que foi procurada por repórter do diário jornalístico pelos números fornecidos no sítio da Prefeitura Municipal, mas nenhuma ligação se completou.

O Portal também entrou em contato com o médico veterinário José Joaquim do Nascimento, lotado na pasta, via aplicativo de mensagens instantâneas e ligação telefônica. O profissional foi solícito em atender a Reportagem, mas alegou estar em folga e que teria de conhecer a origem da carne registrada no transporte irregular para emitir um parecer. Ele pediu retorno na segunda-feira, durante o expediente.

Um texto relatando a situação denunciada pelo leitor ao domínio também foi encaminhado ao secretário municipal de Agricultura, Francisco Adailton de Sá, o Dr. Adailton, pelo e-mail funcional ([email protected]). Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação de recebimento do correio eletrônico na caixa de entrada.

De qualquer forma, cabe à Seagri formar uma equipe de controle de qualidade interna e outra de representantes do próprio Mapa para garantir que as normas sanitárias sejam cumpridas. Assim, haveria monitoramento de todas as etapas de trabalho, desde o abate até o transporte, como previsto na legislação. Além disso, a renovação da frota é necessária para se adequar às exigências estabelecidas. No caso em questão, o caminhão é antigo e, pior, não obedece a padrões mínimos de higiene. Aliado a isso também está o fato de que o veículo, por ser antigo, não possui refrigeração.

Caminhão antigo foi flagrado transportando carne em condições degradantes na Marabá Pioneira

Riscos

Ouvida pelo Portal Debate Carajás, a infectologista Rita Catarina Medeiros Sousa, da Unimed, ressalta que cuidados com a compra e o consumo de carne são fundamentais para evitar uma série de doenças. Conforme a médica, o alimento manipulado inadequadamente pode causar infecções por bactérias do gênero salmonella e shigella (coliformes fecais ou termotolerantes), que causam gastrenterites, diarreia, vômito e febre, além do estímulo de infecções generalizadas, caso invadam a circulação sanguínea.

Outro risco é o das bactérias do gênero clostridium (que podem estar no solo, no caso de a carcaça ter contato com o chão). Elas podem produzir toxinas, principalmente em carnes armazenadas fora da temperatura adequada, provocando infecção do intestino grosso, com risco de perfuração intestinal. Além disso, há o caso dos staphylococcus (presentes na pele e vias aéreas de pessoas que manipulam a carne), que podem levar os consumidores a quadros de síndrome de choque tóxico, em que há falência do sistema cardiovascular, associada a febre e erupções cutâneas, além de gastrenterites. (Vinícius Soares/Debate Carajás)

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