O consumo de álcool foi o
responsável pela morte de mais de 3 milhões de pessoas no mundo em 2016,
representando uma em cada 20 mortes. O alerta foi divulgado hoje (21) pela
Organização Mundial da Saúde (OMS).  O relatório global sobre o consumo
global de álcool e suas consequências adversas para a saúde aponta que os
homens representam mais de três quartos das mortes. No geral, o uso nocivo do
álcool causa mais de 5% das doenças no mundo. 
 
Segundo a
OMS, 28% das mortes relacionadas ao álcool são resultado de lesões, como as
causadas por acidentes de trânsito, autolesão e violência interpessoal; 21% se
devem a distúrbios digestivos; 19% a doenças cardiovasculares e o restante por
doenças infecciosas, câncer, transtornos mentais e outras condições de saúde.
Mundialmente,
o álcool foi responsável por 7,2% das mortes prematuras (de pessoas com menos
de 69 anos) em 2016. Além disso, 13,5% mortes entre pessoas entre 20 e 29 anos
de idade são atribuídas ao álcool. 
A
estimativa da organização é que 237 milhões de homens e 46 milhões de mulheres
sofram com transtornos relacionados ao consumo de álcool, com maior prevalência
entre homens e mulheres na região Europeia (14,8% e 3,5%, respectivamente) e na
região das Américas (11,5% e 5,1%, respectivamente). O relatório indica que os
transtornos por uso de álcool são mais comuns em países de alta renda.
“O álcool
frequentemente fortalece as desigualdades entre e dentro dos países,
dificultando a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU,
que exige que as desigualdades sejam reduzidas. Danos provocados por uma
determinada quantidade de bebida é maior para os consumidores mais pobres e
suas famílias do que para consumidores mais ricos. Este padrão de maior “dano
por litro” é encontrado para muitos prejuízos causados pelo álcool”, aponta o
relatório.
Consumo
A
estimativa da OMS é que 2,3 bilhões de pessoas consumam álcool atualmente. O
consumo representa mais da metade da população das Américas, Europa e Pacífico
Ocidental. 
O consumo
médio diário de pessoas que bebem álcool é de 33 gramas de álcool por dia, o
equivalente a dois copos (cada um de 150 ml) de vinho, uma garrafa grande de
cerveja (750 ml) ou duas doses (cada uma de 40 ml) de bebidas destiladas. A
Europa registra o maior consumo per capita do mundo, embora esse tenha
diminuído em mais de 10% desde 2010. 
 
O estudo
aponta que, nas regiões da África, Américas, Mediterrâneo Oriental e Europa, a
porcentagem de consumidores diminuiu desde 2000. No entanto, aumentou na região
do Pacífico Ocidental de 51,5% em 2000 para 53,8% hoje e permaneceu estável no
sudeste da Ásia.
Perfil
Em todo o
mundo, 27% dos jovens com idade entre 15 e 19 anos consomem álcool atualmente.
As taxas de consumo são mais altas entre os jovens de 15 a 19 anos na Europa
(44%), seguidas das Américas (38%) e do Pacífico Ocidental (38%). Globalmente,
45% do total de álcool é consumido na forma de bebidas alcoólicas. A cerveja é
a segunda bebida em termos de consumo puro de álcool (34%), seguida do vinho
(12%).
 
Por outro
lado, o estudo indica que mais da metade (57% ou 3,1 bilhões de pessoas) da
população global com 15 anos ou mais se absteve de consumir álcool nos últimos
12 meses. 
A
perspectiva da OMS é que até 2025, o consumo total de álcool per capita em
pessoas com 15 anos ou mais de idade aumente nas Américas, no Sudeste Asiático
e no Pacífico Ocidental. 
“É
improvável que isso seja compensado por quedas substanciais no consumo nas
outras regiões. Como resultado, o consumo total de álcool per capita no mundo
pode chegar a 6,6 litros em 2020 e 7,0 litros em 2025, a menos que as
tendências crescentes de consumo de álcool na Região das Américas e no Sudeste
Asiático e no Pacífico Ocidental sejam interrompidas e revertidas”, afirma o
relatório.
O consumo
de álcool entre as mulheres diminuiu na maioria das regiões do mundo, exceto
nas regiões do sudeste asiático e do Pacífico Ocidental, mas o número absoluto
de mulheres que bebem atualmente aumentou no mundo. 
Ao todo,
95% dos países têm impostos sobre o consumo de álcool, mas menos da metade deles
usa outras estratégias, como a proibição de vendas abaixo do custo ou descontos
por volume. A maioria deles tem algum tipo de restrição à publicidade de
cerveja, com proibições totais mais comuns para televisão e rádio, mas menos
comuns para a internet e mídias sociais.
Fonte: Portal ORM