Após cinco dias de buscas intensas, os destroços de um avião de pequeno porte foram encontrados em uma área de mata fechada no município de Manicoré, no sul do Amazonas, na quarta-feira (25/12). A aeronave, que não possuía plano de voo registrado e não foi detectada por radares, transportava o piloto Rodrigo Boer Machado, de 29 anos, natural de Fernandópolis (SP), e o passageiro Breno Braga Leite, ambos encontrados sem vida.
O avião havia decolado na sexta-feira (20/12) de uma pista não oficial em Manicoré, com destino à cidade de Borba, também no Amazonas. O percurso, estimado em aproximadamente 35 minutos de voo, não foi concluído, e o contato com a aeronave foi perdido ainda no início do trajeto.
As autoridades informaram que a aeronave, que não era registrada nos sistemas oficiais de controle aéreo, levantou suspeitas quanto à regularidade da operação. Desde o desaparecimento, equipes da Força Aérea Brasileira (FAB), do Corpo de Bombeiros e voluntários locais iniciaram buscas por terra e ar.
As buscas
A operação de resgate mobilizou aeronaves da FAB, incluindo os modelos SC-105 Amazonas e H-60 Black Hawk, que realizaram mais de 18 horas de sobrevoo, cobrindo uma área de 2.594 km². A estratégia incluiu o uso de sensores de detecção e análise de relatos de moradores da região.
Comunidades locais, como a do Bom Jesus, informaram ter ouvido o sobrevoo de uma aeronave no dia do desaparecimento. Esses relatos foram fundamentais para direcionar as buscas terrestres, realizadas em condições desafiadoras devido à densidade da floresta e às condições climáticas adversas.
Os destroços do avião foram localizados por uma equipe terrestre próxima a uma comunidade rural. A aeronave estava completamente destruída, o que dificultou a identificação inicial. Ambos os ocupantes foram encontrados sem vida nos destroços, indicando que o impacto foi fatal.
Vítimas e retirada dos corpos
Rodrigo Boer Machado, o piloto, tinha experiência em voos de pequeno porte na região amazônica, mas operava sem registro oficial neste caso. Breno Braga Leite, o passageiro, também era conhecido na área, embora as circunstâncias que o levaram ao voo ainda estejam sendo investigadas.

A retirada dos corpos foi coordenada pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Civil do Amazonas. Devido à localização de difícil acesso, o transporte das vítimas até a sede de Manicoré exigiu o uso de helicópteros e apoio terrestre. Os corpos foram encaminhados para perícia no Instituto Médico Legal (IML).
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) abriu uma investigação para determinar as causas do acidente. Informações preliminares apontam para condições climáticas adversas e possíveis falhas mecânicas, mas a ausência de um plano de voo e o histórico da aeronave também são analisados como fatores contributivos.
Especialistas destacam que o “range anxiety” — preocupação com autonomia de aeronaves — não seria aplicável neste caso, dada a curta distância do trajeto. No entanto, a precariedade da infraestrutura aérea local e a falta de regulamentação de voos não registrados levantam questionamentos sobre a segurança da aviação na região. (Portal Debate)


