A tarifa de energia elétrica residencial no Pará acumulou uma alta expressiva de 171,93% nos últimos 10 anos, de acordo com números divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) ontem. Esses números surgem em meio a uma onda de indignação da população paraense devido à revisão tarifária anual pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que está prestes a definir um novo reajuste.
Após a suspensão temporária do reajuste de 18,31% aprovado na semana passada, a Aneel está programada para determinar um novo valor em uma reunião marcada para essa terça-feira (8), em Brasília. A população paraense aguarda ansiosamente para ver como essa situação irá se desenrolar.
Comparando esses aumentos aos índices de inflação, fica evidente que os sucessivos aumentos na tarifa de energia elétrica ultrapassaram significativamente a inflação acumulada medida pelo INPC/IBGE no mesmo período, que foi de apenas 73,39%. Esse impacto financeiro tem gerado perplexidade e insatisfação entre os consumidores paraenses, que questionam a lógica por trás desses reajustes.
O Pará, ocupando a segunda posição atrás apenas de São Paulo na produção de energia, contribui com cerca de 11% da energia consumida pela população do país, conforme dados da Aneel de 2021. Esse cenário acrescenta relevância às discussões sobre as tarifas de energia no estado.
Raphael Oliveira, economista e pesquisador especialista em finanças, destaca que o aumento de 171,93% nos últimos 10 anos superou mais que o dobro da inflação acumulada. Ele ressalta que esses números, teoricamente, deveriam orientar os reajustes e que tais aumentos excessivos afetam diretamente o custo de vida das famílias e, consequentemente, sua qualidade de vida.
Em meio a essas preocupações, alguns consumidores têm buscado alternativas para reduzir sua dependência das concessionárias tradicionais de energia elétrica. Vitória Albuquerque, moradora de Bragança, investiu em um sistema de energia solar como uma esperança de se livrar do que ela considera abuso. Esse investimento representa uma economia de mais de 50% ao longo dos anos em sua conta de energia.
Porém, a situação ainda é desafiadora para muitos. Os reajustes não apenas na energia elétrica, mas também em alimentos, saúde, educação, aluguel e outros aspectos, criam dificuldades, especialmente para os trabalhadores que recebem apenas um salário mínimo. O aumento das tarifas de energia compromete a alimentação dos paraenses, já que uma cesta básica representa mais da metade do salário mínimo atual. (Portal Debate, com Folha do Progresso)


