O
aposentado Silvio Moraes, de 57 anos, realiza três sessões semanais de
hemodiálise no Centro Monteiro Leite, em Belém. Ele costuma chegar mais de uma
hora antes para o que considera estar longe de ser um sacrifício. “Faço
hemodiálise aqui há cinco anos e o serviço é ótimo, realmente diferenciado. A
gente depende dessa máquina para viver, sem ela eu não estaria aqui”, disse o
aposentado.

Outro
que aprova o tratamento destinado aos pacientes renais do Monteiro Leite é o
comerciante Amaury Barbosa, 62 anos. “O serviço é perfeito. Graças a esse
atendimento com a hemodiálise, eu me cuido e posso levar uma vida normal depois
que retirei um dos rins. Só tenho a agradecer, principalmente pelo atendimento.
Costumo dizer a eles, quando acaba a sessão e vou embora, uma metáfora
verdadeira: sem vocês eu não vivo!”, relata o paciente.
A
hemodiálise é um tratamento que consiste na remoção do líquido e substâncias
tóxicas do sangue. A terapia de substituição renal é realizada em pacientes
portadores de insuficiência renal crônica ou aguda, já que nesses casos o
organismo não consegue eliminar tais substâncias devido à falência dos
mecanismos excretores renais.





Vinculado
ao Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, o Centro Monteiro Leite funciona há sete
anos. Oferece 198 vagas para o tratamento ambulatorial, com 35 máquinas de
hemodiálise, que funcionam em três turnos durante seis dias por semana, de
segunda-feira a sábado. A unidade faz parte da política de ampliação dos
serviços de hemodiálise do Governo do Estado, intensificada a partir de 2011.





“Nós
chegamos ao final do segundo mandato do governador Simão Jatene zerando a fila
da hemodiálise depois da abertura do Monteiro Leite. Com a demanda crescente,
estamos fazendo um novo movimento para zerar a fila novamente, com a ampliação
dos serviços de hemodiálise. Mas a realidade que temos hoje é totalmente
diferente da de 10 anos atrás. Praticamente triplicamos o número de máquinas e
pacientes atendidos, o que salvou muitas vidas através do tratamento
especializado”, destaca o secretário de estado de saúde, Vitor Mateus.
Expansão
Atualmente
são 489 máquinas de hemodiálise habilitadas e em uso no Estado, distribuídas em
dezenove estabelecimentos, incluindo os setores público, privado e
filantrópico, em dez municípios. No Pará existem 3.441 pessoas em tratamento de
hemodiálise e cerca de 230 pacientes em espera para fazer as sessões. 
O
processo de ampliação está previsto para encerrar até o final do ano. Em
Redenção, serão aumentadas mais 14 máquinas, que vão passar a atender um total
de 84 pessoas. Em Breves, no Hospital Regional do Marajó, serão 10 máquinas a
mais, proporcionando atendimento a 60 pacientes.



No
Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, está programada a ampliação
dos serviços de hemodiálise com 42 máquinas. Para garantir a oferta do serviço
no Hospital Municipal de Santarém, a Secretaria de Estado de Saúde Pública
(Sespa) repassa mensalmente ao município, por meio de um cofinanciamento, o
valor de R$ 200 mil, conforme Portaria Nº 239 de 18 de março de 2014.



Paralelo
a isso, o Hospital Regional do Sudeste do Pará (HRSP), em Marabá, passa por
reforma e ampliação para ofertar serviços de hemodiálise, hemodinâmica, e
ainda aumentar mais 30 leitos, criar salas multiuso para ensino – incluindo
residência médica. Serão mais 20 máquinas de hemodiálise, proporcionando o
acesso a 120 pacientes.
Parcerias no setor privado
No
setor privado, a hemodiálise também é uma prioridade do estado graças às
parcerias que ampliam este serviço. Em Capanema foram ligadas mais 20 máquinas
junto a um hospital privado. Em Castanhal, foram inauguradas 67 máquinas
concentradas num espaço de grande porte. 
Futuramente
iniciam as obras para ampliação em Abaetetuba e ainda será viabilizado um
projeto em Tucuruí para a instalação do serviço de hemodiálise, numa parceria
com a Eletronorte.




O
projeto de ampliação da rede de hemodiálise no estado reforça o atendimento
cuidadoso destinado aos pacientes renais na capital paraense. Na Santa Casa de
Misericórdia, em Belém, o Centro de Terapia Renal Substitutiva Pediátrica tem
um atendimento que envolve crianças e adolescentes de até 18 anos e é
diversificado: nefrologia pediátrica, hemodiálise pediátrica, ambulatórios e
enfermarias. O serviço de hemodiálise foi inaugurado em outubro de 2012 e tem
capacidade de atendimento de crianças em programa de hemodiálise crônica.

Ainda
na Santa Casa, além da realização de hemodiálise, é oferecido um total de 200
atendimentos ambulatoriais por semana, com médicos especializados e treinados
para alertar e evitar que o problema renal se estabeleça. 
No
Instituto de Nefrologia do Hospital Ophir Loyola (HOL), a clínica nefrológica
possui hemodiálise com 22 máquinas reservadas à diálise dos pacientes
ambulatoriais e àqueles internados com problemas oncológicos no hospital.


Um
braço isolado da nefrologia, o Serviço de Transplante Renal, possui 18 leitos
reservados aos pacientes que apresentam complicações infecciosas após o enxerto
ou ainda serão submetidos ao procedimento. E também oferta ambulatórios ligados
ao Serviço de Hemodiálise para o acompanhamento prévio de usuários com doença
renal crônica e ambulatórios que preparam e acompanham os pacientes de
transplantes.
Por
mês, o Serviço de Transplante Renal atende cerca de 160 pessoas, entre
cirurgias e pacientes em tratamento pré e pós-operatório. Cerca de 90% das
cirurgias são realizadas com rins provenientes de doadores falecidos.
Em
Belém, são realizados os transplantes de rim nos hospitais Ophir Loyola e Saúde
da Mulher. Em Santarém, o programa de transplantes do Hospital Regional sediado
no município, já realizou seis transplantes de rins desde novembro de 2016.


A
Central de Transplantes coordena todos os processos de doação, captação e
transplantes de órgãos e tecidos; cadastra equipes, hospitais e clínicas para
realização de transplantes; monitora e supervisiona o Sistema de Lista de
Espera de acordo com a Legislação Federal. Todo o processo de registros e
informações das doações e transplantes ocorre on-line com o Sistema Nacional de
Transplantes do Ministério da Saúde.
Em
2016, foram realizados 57 transplantes de rins no estado, em 2017, 69 e em
2018, já foram 32 até o mês de julho. Importante ressaltar que a lista de
espera diminuiu para transplantes feitos no Pará: em 2016 era de 521 pessoas
para rins. Até junho de 2018, são 457 pessoas esperando rins.
Fonte: Portal ORM